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Dose certa de proteção: saiba quais são as vacinas essenciais para cães e gatos

Vacinas protegem animais contra doenças graves e reduzem riscos à saúde pública. Especialistas explicam a importância de cada imunizante

Antes da vacinação, é fundamental que o pet esteja saudável e apto a responder ao imunizante -  (crédito: Freepik)
Antes da vacinação, é fundamental que o pet esteja saudável e apto a responder ao imunizante - (crédito: Freepik)

Com o início do ano, muitos tutores aproveitam o período para organizar cuidados essenciais com os animais de estimação. Manter o calendário de vacinação em dia é uma forma eficaz e segura de prevenir doenças graves em cães e gatos. Apesar da importância, parte dos tutores ainda não segue o esquema vacinal à risca, deixando os pets vulneráveis. Especialistas explicam a importância da imunização, os cuidados necessários e quais vacinas são obrigatórias.

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A médica veterinária Bárbara Lopes reforça que manter a imunização em dia é uma medida fundamental de bem-estar animal, prevenção de doenças e proteção da saúde pública. Ela lembra que, no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a única vacina considerada obrigatória por lei para cães e gatos é a antirrábica, por se tratar de uma zoonose grave e fatal, com impacto direto na saúde da população. O imunizante é oferecido gratuitamente, durante todo o ano, em postos de saúde e algumas clínicas veterinárias. O reforço deve ser feito anualmente, conforme a legislação vigente.

Apesar disso, Bárbara recomenda fortemente a vacinação contra outras doenças infecciosas graves e potencialmente fatais que, embora não sejam obrigatórias por lei, são consideradas essenciais. Para cães e gatos de diferentes idades, os protocolos variam conforme a fase da vida e o nível de exposição. "Cada animal deve ser avaliado individualmente, e o protocolo vacinal pode ser ajustado de acordo com o risco e o benefício", explica.

Nos filhotes, período marcado por maior vulnerabilidade, após o desaparecimento dos anticorpos maternos adquiridos no desmame, a vacinação desempenha papel central no desenvolvimento da imunidade. Já no caso de animais idosos, a especialista destaca que devem ser avaliadas possíveis comorbidades, como doenças renais, cardíacas, endócrinas ou neoplasias, além do grau de exposição a agentes infecciosos no dia a dia (veja quadro).

O que acontece quando a vacinação atrasa?

Segundo Bárbara, atrasos de até três meses geralmente não causam prejuízos significativos à proteção imunológica, sendo possível realizar apenas o reforço normalmente. No entanto, atrasos maiores podem deixar o animal desprotegido e, em alguns casos, exigem a aplicação de mais de uma dose para restabelecer a imunidade, dependendo da vacina e do tempo de interrupção.

Em qualquer situação de atraso, a orientação é procurar um médico veterinário, que avaliará o melhor protocolo a ser seguido. Vacinar fora do prazo compromete a eficácia da proteção e pode deixar o pet vulnerável a doenças evitáveis.

Recomendações

Antes da vacinação, é fundamental que o pet esteja saudável e apto a responder ao imunizante. O médico veterinário Marcelo Santiago explica que, embora as vacinas sejam seguras, a aplicação deve sempre ocorrer com acompanhamento profissional, responsável por avaliar se o organismo do animal está preparado para receber a dose com segurança e eficácia.

Respeitar a idade mínima indicada, manter a saúde em dia, evitar vacinar animais com febre ou apatia e garantir a vermifugação atualizada, especialmente no caso dos filhotes, são cuidados que contribuem para uma resposta imunológica adequada. Também é recomendado evitar situações de estresse no dia da vacinação e informar ao veterinário sobre qualquer tratamento em andamento.

Após a vacinação, podem ocorrer reações leves e temporárias, como sonolência, redução do apetite, febre baixa ou sensibilidade no local da aplicação, que costumam desaparecer em até 48 horas. Caso os sintomas persistam ou surjam sinais mais graves, como vômitos, tremores, inchaço ou dificuldade para respirar, a orientação é procurar imediatamente um veterinário.

Tutor de dois cães, Mateus Bahouth afirma que a imunização faz parte de uma rotina de cuidados contínuos com a saúde dos animais. Tutor do Figo, um schnauzer, e Kiwi, um west white highland, ele conta que o acompanhamento veterinário frequente é o que garante que o calendário vacinal esteja sempre em dia. "Seguimos rigorosamente as orientações do veterinário, que nos avisa sempre que há necessidade de alguma dose ou reforço", explica.

Segundo Mateus, os cães passam por check-ups regulares e costumam frequentar o pet shop a cada uma ou duas semanas, o que facilita a observação constante da saúde geral. Além da imunização, ele destaca a atenção ao bem-estar diário, com alimentação orientada por profissionais e acesso a áreas externas da casa, onde os animais permanecem soltos durante o dia.

Ele afirma que nunca enfrentou atrasos ou dificuldades em relação à vacinação, justamente por contar com esse acompanhamento profissional contínuo. "Quando surge qualquer dúvida, recorremos diretamente ao veterinário. Isso traz segurança e evita erros ou esquecimentos", relata.

Para Mateus, manter a vacinação em dia vai além do cuidado individual com os próprios pets. "Animais vacinados ajudam a reduzir a circulação de vírus e bactérias no ambiente, protegendo outros pets e até as pessoas que convivem com eles. É um cuidado coletivo", conclui.

Imunização em dia

A veterinária Bárbara Lopes selecionou, conforme as Diretrizes World Small Animal Veterinary Association (WSAVA), as vacinas essenciais e mais indicadas para cada espécie. Confira:

Cães

Essenciais

Vacina V8 — Protege contra cinomose, hepatite infecciosa canina, adenovirose, parainfluenza, coronavirose, parvovirose e dois tipos de leptospirose.

Vacina V10 — Oferece a mesma proteção da V8, com a adição de mais dois sorovares da leptospira, ampliando a proteção contra essa zoonose, especialmente em regiões com maior risco ambiental.

Vacina antirrábica —Protege contra o vírus da raiva, uma doença fatal que pode afetar cães, outros animais e seres humanos. O reforço deve ser anual, conforme a legislação vigente.

Recomendadas

Vacina da gripe canina (traqueobronquite) — Protege contra infecções respiratórias causadas por vírus e bactérias, como a Bordetella bronchiseptica. Após o protocolo inicial, o reforço é anual.

Vacina contra giárdia — Protege contra uma infecção causada por um protozoário que atinge o sistema digestivo, provocando vômitos, diarreia e desidratação. Por ser uma zoonose, pode ser transmitida a humanos. O reforço também é anual.

Gatos

Essenciais

Vacina polivalente V3 — Protege contra panleucopenia felina, rinotraqueíte felina e calicivirose felina. É a versão básica da vacina polivalente, indicada para gatos que vivem exclusivamente em ambientes internos, com baixo risco de exposição.

Vacina polivalente V4 — Inclui as três proteções da V3 e acrescenta a prevenção contra a clamidiose felina, doença que afeta principalmente os olhos e o trato respiratório, sendo comum em ambientes com grande concentração de gatos. A aplicação deve seguir o protocolo indicado pelo médico veterinário.

Vacina antirrábica — Protege contra o vírus da raiva, uma doença fatal que pode afetar gatos, outros animais e seres humanos. O reforço deve ser anual, conforme a legislação vigente.

Recomendada

Vacina V5 (FeLV) — Vacina mais completa da categoria, protege contra todas as doenças cobertas pela V4 e acrescenta a proteção contra a leucemia viral felina (FeLV). É recomendada para gatos que têm acesso à rua, convivem com outros felinos ou vivem em regiões com alta incidência da doença. O reforço é anual nesses casos.

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. (foto: Bárbara Lopes)

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

 


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JC
postado em 18/01/2026 06:00
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