Neurônios em dia

Será que as simpatias para atrair sorte podem funcionar?

A ciência tem demonstrado que rituais supersticiosos não devem ser vistos como meras tolices. Eles promovem mais autoconfiança e ganhos na capacidade executiva

Mulher faz sinal de figa: o poder das superstições é estudado pela ciência    -  (crédito: Reprodução/Freepik)
Mulher faz sinal de figa: o poder das superstições é estudado pela ciência - (crédito: Reprodução/Freepik)

Não é raro as pessoas fazerem simpatias para atrair a sorte em situações de ansiedade e incerteza. É como se fosse um aquecimento mental, um jogo-treino que pode ajudar a reduzir a insegurança. Esses ensaios têm roteiros às vezes muito estranhos, mas a ciência tem demonstrado que eles não devem ser vistos como meras tolices. Podem influenciar como as pessoas sentem, pensam e se comportam.

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Um experimento mostrou que brincar de golfe com bolas supostamente mágicas, especiais, leva a mais acertos do que quando o voluntário joga com bolas “normais”. O desempenho em testes motores refinados também é melhor quando o voluntário é informado de que o examinador está “fazendo figa” por ele. Esses rituais supersticiosos promovem uma maior autoconfiança e ganhos na capacidade executiva e de atenção.

Essas simpatias são muito presentes na vida dos atletas. Alguns chegam a comer o mesmo alimento e acordam rigorosamente no mesmo horário no dia de cada competição. O tenista brasileiro Gustavo Kuerten é um bom exemplo. Quando ganhava uma partida, ele não mudava de restaurante até o fim do campeonato. Rafael Nadal e Serena Williams têm simpatias que chegam a irritar os adversários.

Rituais também são comuns quando se perde um ente querido. Um estudo demonstrou que as pessoas que vivenciaram o luto com rituais, como ouvir uma música que remete à lembrança do falecido, mostravam menos sofrimento com a perda. Uma pesquisa realizada no Brasil apontou que as simpatias são mais eficazes quando têm vários passos a cumprir, quando têm procedimentos repetitivos e quando existe um limite de tempo para cumprir o trabalho. Mais difíceis, maior o empenho, mais resultados.

Não existem evidências de uma relação causa e efeito entre a simpatia e os resultados esperados, mas o fato é que alguns desses rituais podem fazer alguma diferença, sim. O extremo dessa história é o transtorno obsessivo compulsivo que costuma ter exageros de simpatias e superstições que acabam funcionando como um freio de mão na vida.

* Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília

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RA
postado em 16/01/2026 14:17
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