
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) não é uma exclusividade dos humanos. Sinais da condição também podem aparecer em outras espécies. Mariana Belloni, médica-veterinária e coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, destaca que comportamentos compatíveis com o distúrbio podem aparecer em cães, interferindo no bem-estar, na relação com a família e até na saúde física do animal.
Conforme a médica-veterinária, muitos tutores confundem sinais de TDAH com “energia de sobra” ou falta de adestramento. “Cães com transtornos de atenção apresentam um padrão persistente de hiperatividade, impulsividade e dificuldade de concentração que foge do esperado para a idade e para a raça. Quando isso começa a causar prejuízos ao animal ou à rotina da família, merece investigação clínica”, explica.
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A seguir, confira quais são os sinais que podem indicar que seu cão tem TDAH:
1. Inquietação constante
O cão não consegue permanecer parado por mais de poucos segundos, mesmo em momentos de descanso.
2. Dificuldade extrema de foco
Interrompe comandos repetidamente, não consegue manter a atenção durante treinos e se distrai com qualquer estímulo.

3. Impulsividade
Corre sem direção, pula em pessoas ou outros animais, reage rapidamente a estímulos e demonstra dificuldade de controle.
4. Comportamentos destrutivos frequentes
Roupa, móveis, objetos, a destruição ocorre mesmo após exercícios físicos adequados.
5. Sono irregular
Dificuldade de relaxar, menor tempo de repouso e padrões de sono fragmentados.
6. Hiperexcitabilidade
Reage de forma exagerada a sons, visitas ou movimentos ao redor.
7. Ansiedade associada
Pode apresentar vocalização excessiva, lamber ou morder as patas, ou demonstrar agitação intensa quando deixado sozinho.
Diagnóstico e tratamento do TDAH em cachorros
Segundo Mariana Belloni, o diagnóstico do TDAH em cachorros é clínico e envolve avaliação comportamental detalhada; análise de histórico de rotina e estímulos; além de exclusão de outras condições médicas, como distúrbios hormonais, dor crônica ou ansiedade de separação. “Não existe um único exame que confirme o TDAH em cães. O importante é observar padrões persistentes e como eles afetam a qualidade de vida”, complementa.
Quanto ao tratamento, Mariana Belloni esclarece que é individualizado e pode envolver três pilares. “Modificação comportamental, com rotina de treinos curtos e frequentes e enriquecimento ambiental com a inclusão de brinquedos interativos, desafios olfativos e atividades mentais é uma das opções. É possível ainda fazer ajustes na rotina de exercícios entendendo a necessidade de trabalhar o físico e o mental e, nesses casos, atividades como farejamento e comandos de foco costumam ser mais eficazes. A terceira saída é fazer uso de medicamentos, quando indicados por um médico-veterinário”, salienta.
Importância de buscar ajuda
Sem tratamento, o TDAH pode levar a aumento dos níveis de estresse, maior risco de acidentes e lesões, ganho ou perda de peso por ansiedade e dificuldade de socialização. “Quando manejado corretamente, o prognóstico é excelente. Cães com TDAH podem viver normalmente e serem extremamente felizes. O segredo é entender suas necessidades e oferecer suporte adequado”, conclui a médica-veterinária.
Por Camila Crepaldi
