
O início da vida profissional costuma vir acompanhado de aumento de renda, novos benefícios, maior autonomia e, muitas vezes, do primeiro contato real com decisões financeiras relevantes. Ao mesmo tempo, é justamente nesse momento que muitos jovens cometem erros que podem comprometer a estabilidade e o crescimento no médio e longo prazo.
Dados recentes revelam um cenário paradoxal: enquanto o volume aplicado por pessoas físicas no Brasil atingiu R$ 8,5 trilhões em 2025, alta de 15,5% em relação a dezembro de 2024, segundo a ANBIMA, o país também bateu recorde de inadimplência. De acordo com a Serasa, janeiro de 2026 registrou 81,3 milhões de inadimplentes, o maior número da série histórica. Embora os jovens de 18 a 25 anos representem 11,1% dos endividados, o dado reforça que decisões financeiras equivocadas podem começar cedo, justamente no início da vida profissional.
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Em um cenário de crédito facilitado, consumo estimulado pelas redes sociais e pouca educação financeira formal, muitos jovens entram no mercado de trabalho sem preparo para gerir o salário, os benefícios e o planejamento futuro.
Para Mariane Sales, professora de Finanças Corporativas e Gestão Financeira na DomEduc, escola de Educação Corporativa do Grupo DDomingues, o problema não está apenas na falta de informação, mas na ausência de estratégia. No mundo corporativo, nenhuma empresa cresce sem planejamento, reserva e previsibilidade. Na vida pessoal, a lógica é a mesma. Organização financeira não é sobre restrição, é sobre autonomia e liberdade de escolha, afirma.
A seguir, a especialista destaca cinco erros financeiros comuns no início da carreira e como evitá-los. Confira!
1. Subir o padrão de vida no mesmo ritmo do salário
Sabe aquela sensação de agora eu posso que vem com o primeiro salário ou com aquela promoção suada? É uma armadilha clássica. A gente corre para trocar de carro ou mudar para um apartamento mais caro, achando que é o passo natural.
É muito comum a gente ganhar um aumento e já ‘carimbar’ esse dinheiro com novas contas fixas. O erro é inflar o estilo de vida antes de criar uma base sólida. Se as empresas trabalham com margem de segurança, por que a gente não faria o mesmo? O segredo é: se a renda subiu, uma parte vai direto para os investimentos antes mesmo de você pensar em um novo boleto, explica Mariane Sales.

2. Ignorar a famosa reserva de emergência
No trabalho, todo mundo fala em gestão de risco, mas na vida pessoal a gente costuma fingir que nada vai dar errado. É o famoso comigo não acontece. Imprevistos não avisam quando vão chegar, mas a falta de preparo sempre cobra seu preço.
Sem aquele fôlego de 3 a 6 meses de contas pagas guardado, qualquer imprevisto vira uma bola de neve. Pode ser um problema de saúde ou uma demissão inesperada. Sem reserva, você resolve um problema criando outro maior e com juros altos. No fim das contas, a reserva não é só dinheiro, é paz de espírito, alerta.
3. Tratar o crédito como se fosse parte do salário
Cartão de crédito e limite do banco dão uma falsa sensação de que somos mais ricos do que realmente somos. Mas a verdade nua e crua é que crédito não é renda, é só um jeito de antecipar o futuro e pagar caro por isso.
Tem gente que olha o limite do cartão e já soma no orçamento do mês. Só que o crédito tem preço, e os juros devoram o seu patrimônio. Use o cartão como ferramenta, não como bengala. Ele precisa caber no que você realmente ganha hoje, não no que você espera ganhar amanhã, explica a professora.
4. Deixar dinheiro na mesa
Vale refeição, bônus, previdência da empresa e planos de ações… Muita gente nem lê o contrato e acaba ignorando essas vantagens. É o famoso dinheiro esquecido que faz muita falta lá na frente.
Muitos profissionais focam só no que cai na conta dia 5 e ignoram o resto. Benefícios também são parte da sua construção de patrimônio. Entender como funciona a previdência privada ou a tributação desde cedo não é ‘coisa de velho’, é estratégia para quem quer ter liberdade de verdade daqui a uns anos, afirma.
5. Viver sem metas
Toda empresa tem metas e indicadores, mas na vida pessoal a gente costuma gastar primeiro para ver se sobra algo no final do mês. Spoiler: quase nunca sobra. Sem objetivo, não tem disciplina que resista. Se você não sabe para onde quer ir, o dinheiro acaba sumindo em pequenas bobagens do dia a dia. Quer fazer uma pós? Um intercâmbio? Dar entrada no seu canto? Coloque um nome no seu dinheiro. Ter um propósito claro torna o ato de poupar muito mais leve, finaliza a professora Mariane Sales.
Por Maria Fernanda Benedet
