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Epilepsia em pets: como identificar e tratar

A doença neurológica pode se manifestar de forma silenciosa em cães e gatos. Por isso, entender os sintomas, as causas e os cuidados é essencial para evitar riscos e garantir bem-estar

O tratamento da epilepsia não deve ser negligenciado mesmo quando as crises estão controladas -  (crédito: Freepik)
O tratamento da epilepsia não deve ser negligenciado mesmo quando as crises estão controladas - (crédito: Freepik)

A epilepsia em pets ainda é cercada de dúvidas entre tutores, principalmente por nem sempre se manifestar da forma mais conhecida, com convulsões intensas e quedas. A doença neurológica, caracterizada por crises recorrentes causadas por uma atividade elétrica anormal no cérebro, pode apresentar sinais mais sutis e, por isso, muitas vezes passa despercebida. A atenção dos responsáveis e as idas frequentes ao veterinário são formas de prevenir crises e evitar complicações causadas pelos "curtos-circuitos do cérebro".

De acordo com a médica veterinária Caroline Augusto, as crises podem ser generalizadas ou focais. "Nas generalizadas, o animal costuma cair, apresentar movimentos involuntários intensos, dilatação das pupilas, salivação excessiva e até perda de controle urinário e fecal. Já nas focais, os sinais podem ser mais discretos, como tremores em uma única pata, contrações faciais ou mastigação involuntária", explica.

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Esse segundo tipo, segundo a especialista, costuma confundir os tutores justamente por fugir do padrão mais conhecido. "As crises focais são mais difíceis de serem interpretadas, porque não têm aquela imagem clássica de convulsão que muitos esperam, mas devem ser tratadas com o mesmo cuidado", alerta.

Outro momento que exige atenção é o chamado período pós-ictal, que ocorre após a crise. Nessa fase, o pet pode ficar desorientado, andar sem rumo, não reconhecer o próprio tutor e até apresentar cegueira temporária. Em alguns casos, de acordo com Caroline, também é possível perceber sinais antes da convulsão, como ansiedade, olhar fixo e vocalização.

Além da genética

A epilepsia pode ter diferentes origens. De acordo com Caroline, a forma mais conhecida é a idiopática, geralmente de origem genética, que costuma surgir entre os seis meses e os seis anos de idade e não apresenta alterações estruturais no cérebro.

Mas há outros cenários. "Também existem casos de epilepsia estrutural, causados por lesões cerebrais, como tumores, inflamações ou doenças infecciosas, como a cinomose", explica a especialista. Já as crises reativas ocorrem quando o cérebro responde a alterações no organismo, como hipoglicemia, desequilíbrios metabólicos ou intoxicações.

O médico veterinário Pedro Ilha reforça que algumas condições específicas podem estar associadas às crises, principalmente em determinadas raças. "Cães de porte pequeno, como spitz alemão e chihuahua, têm maior predisposição a problemas como hidrocefalia, que podem desencadear quadros convulsivos", afirma. Doenças hepáticas em filhotes também podem estar relacionadas ao problema.

Diagnóstico e tratamento

Identificar a causa da epilepsia é fundamental para definir o tratamento. Por isso, o diagnóstico envolve uma série de etapas. "O médico veterinário começa com um histórico clínico detalhado, exames físicos, laboratoriais e neurológicos. Em alguns casos, são necessários exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética", explica Caroline. Cada tipo de epilepsia exige uma abordagem diferente, o que reforça a importância de não tentar tratar o animal por conta própria.

Após o diagnóstico, o tratamento se torna o principal caminho para garantir qualidade de vida ao animal. Apesar de assustar, a epilepsia não impede que o pet tenha uma rotina normal. Segundo Pedro Ilha, com o tratamento adequado, os animais podem viver bem, mesmo que apresentem crises esporádicas. "Dependendo do caso, uma crise por mês ainda pode ser considerada dentro do esperado. O importante é o controle", afirma.

Entre os medicamentos mais utilizados está o fenobarbital, frequentemente associado a outras substâncias, como o brometo de potássio. No entanto, o uso contínuo exige acompanhamento. "Esses animais precisam de check-ups regulares, idealmente a cada seis meses, com exames de sangue, porque algumas medicações podem causar alterações ao longo do tempo", alerta.

Caroline também reforça que o tratamento não deve ser negligenciado mesmo quando as crises estão controladas. "O acompanhamento é essencial para ajustar doses e evitar complicações, como problemas hepáticos", diz. Há estudos que apontam eficácia, também, no uso da cannabis medicinal para evitar as crises.

O que fazer durante uma crise

Saber como agir no momento da convulsão pode evitar acidentes e salvar a vida do animal. A principal orientação dos especialistas é manter a calma. "Afaste objetos ao redor para evitar que o pet se machuque e reduza estímulos como luz e barulho", orienta Caroline.

Pedro Ilha acrescenta que o tutor deve conter o animal apenas para evitar impactos, sem forçar movimentos. "A primeira coisa é conter o animal com cuidado, para que ele não se debata, não bata a cabeça e não se machuque. Depois da crise, o ideal é procurar atendimento veterinário o quanto antes", explica.

Ele também faz um alerta importante sobre práticas que devem ser evitadas. "Não se deve abrir a boca do animal nem colocar qualquer objeto, porque durante a convulsão ele pode morder involuntariamente e causar ferimentos graves. Também não é indicado oferecer medicamentos nesse momento, pelo risco de aspiração", destaca.

A duração da crise é outro ponto de atenção. Episódios costumam durar entre 30 segundos e dois minutos. Caso ultrapassem cinco minutos, a situação é considerada emergencial, e o animal deve ser levado imediatamente ao veterinário. Após a crise, o ideal é deixar o pet descansar em um ambiente tranquilo até que se recupere completamente.

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

 


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JC
postado em 22/03/2026 06:00
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