
Criar oportunidades para que crianças com deficiência visual participem de brincadeiras não apenas contribui para o seu desenvolvimento integral, como também favorece a estruturação de uma sociedade mais empática, inclusiva e preparada para valorizar as diferenças desde a infância.
No Dia Mundial da Infância, celebrado em 21 de março, especialistas reforçam que brincar é um direito essencial para todas as crianças e, para aquelas com deficiência visual, o lúdico ganha um papel ainda mais significativo. As brincadeiras tornam-se um importante meio de exploração sensorial, compreensão do ambiente, construção de referências espaciais e desenvolvimento da autonomia, além de colaborar com a inclusão social.
Brincadeiras favorecem o desenvolvimento infantil
Por meio de atividades adaptadas, as crianças ampliam suas possibilidades de interação com o ambiente e com outras pessoas, favorecendo o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional. Elas aprimoram suas habilidades, potencializam a comunicação, ampliam o aprendizado e desenvolvem a socialização, fatores essenciais para uma infância saudável.
De acordo com Junia Carla Buzim, pedagoga da Laramara Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual, essas adaptações são fundamentais para garantir que elas participem ativamente das brincadeiras. Brincar é uma das principais formas de aprendizagem na infância. Para crianças cegas ou com baixa visão, as experiências lúdicas ajudam a desenvolver habilidades cognitivas, motoras e sociais, além de estimular a curiosidade e a autonomia”, explica.

Papel da família e da escola
O incentivo e o envolvimento dos adultos são fatores decisivos para promover a inclusão. Pais e familiares têm um papel fundamental ao propor atividades em grupo e criar ambientes que incentivam a interação social, sendo intencionalmente apresentadas e estimuladas. Essa mediação é essencial para ampliar oportunidades de socialização e fortalecer vínculos desde os primeiros anos de vida.
Além da família, a escola também desempenha um papel fundamental nesse processo, pois é no ambiente escolar que alunos com diferentes perfis convivem e aprendem juntos. Educadores capacitados têm a responsabilidade de planejar experiências acessíveis, promover a integração entre os estudantes e estimular trocas significativas, contribuindo para a construção de um ambiente mais acolhedor e inclusivo.
Quando a brincadeira é pensada de forma acessível e adaptada, ela se torna uma ferramenta de equidade. Todos os alunos devem ter a oportunidade de se divertir, aprender e conviver, independentemente de suas condições ou limitações físicas, reforça Junia Carla Buzim, da Laramara.
Brincar para todos
Pensando no desenvolvimento de crianças com deficiência visual por meio das brincadeiras, Mara Siaulys, presidente e fundadora da Laramara, criou o e-book Brincar para Todos”. O material reúne orientações práticas para o brincar inclusivo, com sugestões de brinquedos, recursos pedagógicos adaptados, estratégias de orientação e mobilidade, além de reflexões sobre o brincar como eixo estruturante do desenvolvimento e da aprendizagem na infância.
Além do e-book, a instituição também possui a Brincanto, loja física e digital especializada em brinquedos acessíveis, oferecendo produtos adaptados que estimulam diferentes sentidos, com recursos sonoros, texturas variadas, formas em relevo e marcações em braile, favorecendo a exploração sensorial, a autonomia e o acesso das crianças às experiências lúdicas.
Para Anderson Batista, assistente social da Laramara, garantir o acesso ao brincar é uma maneira de assegurar o desenvolvimento pleno e o direito à infância. Ao incentivar e promover atividades lúdicas acessíveis, famílias, educadores e a sociedade contribuem para que crianças com deficiência visual possam aprender, interagir e se desenvolver com mais autonomia, participação e confiança, finaliza.
Por Leonardo Sandoval
