
Por Miguel Jabour — Graças ao reconhecimento do governador Ibaneis Rocha, Paulinho passou a habitar, desde a última quarta-feira, um endereço definitivo — com vista para sua companheira de quatro décadas, Zelinda. Um endereço que não se muda, não se vende, não se esquece.
Paulinho, que nasceu no Paraná, é quando Paulinho cabia inteiro no Brasil. Podia ser baiano, pelo jogo de cintura, potiguar de São Miguel do Gostoso, pela calma, mineiro, pela matreirice, paranaense, pelas suas ideias bem organizadas ou carioca, pelo seu humor irreverente. O fato é que, acima de tudo, era brasiliense de espírito.
Era aquele sujeito raro: o encontro sempre valia a pena. Para qualquer aperto, tinha uma saída elegante; para qualquer conversa, um tempero inesperado.
Não sei bem o que mais venho sentindo falta: se é do estrategista político afiado, se é do cronista mundano que brilhava na última página da Revista do Correio Braziliense, se é dos papos sobre música, se é das resenhas de futebol, ou se é daquele prazer simples de jogar conversa fora — de onde brotavam ideias ótimas, quase sempre sem compromisso nenhum de existir, mas que rendiam boas gargalhadas.
Talvez fique mesmo com a risada tímida. Aquela que vinha quando um de nós sugeria uma molecagem qualquer — dessas que já nascem destinadas a dar errado, mas que, com ele, sempre acabavam dando certo em forma de riso.
Na inauguração, as lágrimas do amigo de fé Weligton Moraes disseram mais que o discurso proferido por ele. Os amigos Júlio César, Fernando Leite, José Humberto, Marcelo Ferreira e Eraldo Pereira também falaram com muita emoção. A companheira Zelinda, que se manifestou pela família, afirmou que conduzirá a memória do Paulinho como se ele estivesse vivo. Já o Governador, no seu pronunciamento, reconheceu ali mais do que um nome — reconheceu a importância do escudeiro para a sua história pessoal.
E então se percebe: Paulinho não foi embora.
As tardes dos domingos na Quituart vão continuar alegres no butiquim do Tuim e nas mesas do restaurante da Tia Rô e a feirinha continuará servindo de inspiração para escritores, boêmios e contadores de histórias. Em frente, os frequentadores poderão admirar a praça que tem o nome e o sobrenome do boa praça Paulo Pestana. Para encontrá-lo, será só olhar para o lado que ele estará por lá.

Revista do Correio
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