Comemorado no Brasil em 14 de março, o Dia Nacional dos Animais chama atenção para a relação cada vez mais próxima entre pessoas e seus companheiros de quatro patas, penas ou escamas. Nos últimos anos, os pets passaram a ocupar um lugar ainda mais central na rotina das famílias. A data foi escolhida para incentivar a proteção, o respeito e o cuidado com todas as espécies, além de estimular debates sobre bem-estar animal, preservação ambiental e convivência responsável entre humanos e animais.
Em muitos casos, deixaram de ser apenas companhias e passaram a ser vistos como integrantes da casa, participando do cotidiano e criando vínculos afetivos cada vez mais fortes com seus tutores. Essa conexão também aparece nos números. O Brasil está entre os países com maior população de animais de estimação do mundo, com mais de 160 milhões de pets entre cães, gatos, aves, peixes e pequenos mamíferos. Em muitos lares, esses animais fazem parte da rotina diária e influenciam diretamente o estilo de vida das famílias, seja incentivando passeios, momentos de lazer, seja promovendo mudanças na organização da casa.
Embora cães e gatos continuem sendo os preferidos, outros animais têm conquistado espaço como companhia. Coelhos, hamsters, aves e até répteis aparecem cada vez mais nas casas brasileiras, mostrando que o conceito de pet vem se ampliando. Nas redes sociais, vídeos com pássaros, gatos, cachorros e outros animais frequentemente acumulam milhões de visualizações e ajudam a fortalecer o interesse do público por diferentes espécies.
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Alguns criadores de conteúdo também utilizam esse espaço para discutir inclusão e acessibilidade. É o caso de Darley Oliveira, que compartilha nas redes sua rotina como pessoa cega ao lado da cadela-guia Clark. O influenciador ganhou visibilidade ao defender na Justiça o direito de utilizar aplicativos de transporte acompanhado do animal, contribuindo para ampliar o debate sobre mobilidade e direitos das pessoas com deficiência.
Além da companhia, a convivência com animais pode trazer benefícios importantes para a saúde física e emocional das pessoas. A interação diária, as brincadeiras e até gestos sutis de carinho ajudam a construir um vínculo que impacta diretamente o bem-estar.
Na saúde emocional, os efeitos também são significativos. A psicóloga Larissa Rebouças explica que o vínculo com os animais pode ajudar a regular emoções e diminuir a sensação de estresse. "A interação com os animais estimula a produção de ocitocina, ligada ao bem-estar, e reduz o cortisol, associado ao estresse", afirma. O veterinário Edilberto Martinez complementa: "Esses mecanismos ajudam a explicar por que muitas pessoas relatam sensação de calma e relaxamento ao interagir com seus animais".
Benefícios para a saúde
A médica veterinária Ingrid Baraldi observa que a presença de um pet também pode incentivar mudanças na rotina. Passeios, brincadeiras e momentos de interação estimulam uma vida mais ativa, contribuindo para a prática de atividade física e para a redução do sedentarismo. Além disso, essas atividades ajudam a criar momentos de pausa na rotina, favorecendo o bem-estar físico e emocional.
Essa convivência também pode favorecer a socialização. Em parques, ruas ou clínicas veterinárias, é comum que pessoas iniciem conversas a partir do contato com os animais. Para crianças e adolescentes, o convívio com pets pode estimular empatia, senso de responsabilidade e maior cuidado com o outro, além de contribuir para o desenvolvimento emocional e para a construção de vínculos afetivos.
Em alguns contextos, a presença dos animais vai além da convivência cotidiana e passa a ter um papel terapêutico. Um exemplo é a equoterapia, abordagem que utiliza o cavalo como parte do processo de reabilitação física e emocional. Durante as sessões, os praticantes realizam atividades de montaria e também interagem com o bicho em exercícios específicos, sempre acompanhados por uma equipe multidisciplinar.
Segundo Marcela Parsons, instrutora e idealizadora da instituição Apoiar, o movimento do cavalo é fundamental para o desenvolvimento dos praticantes. "O movimento tridimensional do cavalo é muito semelhante ao da marcha humana e estimula o corpo a realizar ajustes constantes de equilíbrio, postura e coordenação", explica. Com o tempo, os praticantes podem apresentar avanços no controle corporal e no desenvolvimento motor.
Além dos ganhos físicos, o vínculo com o animal influencia o aspecto emocional. "Montar e conduzir um cavalo representa um desafio que, ao ser superado, fortalece a autoconfiança e a autoestima", afirma Parsons. A equoterapia costuma ser indicada para diferentes públicos, incluindo pessoas com autismo, paralisia cerebral, síndrome de Down, atrasos no desenvolvimento e dificuldades motoras.
Outras iniciativas também aproximam pessoas e animais em experiências interativas. Em Brasília, o projeto Soul no Morro já realizou edições de Puppy Yoga no Parque Asa Delta, atividade que combina prática de yoga ao ar livre com interação com filhotes disponíveis para adoção responsável. A capital também abriga espaços voltados para quem quer conviver com animais de maneira diferente, como o Betina Cat Café, na Asa Norte, que reúne cafeteria e convivência com gatos resgatados.
Apesar dos benefícios, profissionais reforçam que ter um animal de estimação exige planejamento e
responsabilidade. Martinez lembra que a adoção representa um compromisso de longo prazo. "Cães e gatos podem viver mais e precisam de cuidados contínuos, atenção e recursos ao longo da vida", afirma. Quando a decisão é tomada de forma consciente, a convivência tende a ser positiva para todos, fortalecendo vínculos e trazendo mais qualidade de vida para tutores e animais.
