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Entre naturalidade e autoestima: como funciona o transplante de sobrancelha?

Técnica que utiliza folículos do próprio couro cabeludo para fazer implante na sobrancelha exige olhar artesanal e manutenção constante para garantir resultados naturais e atemporais

Fios volumosos e correção de falhas. No universo da estética, esses pilares norteiam a busca por diversos procedimentos, sobretudo capilares. Agora, ao que parece, a tendência nada em outras ondas, um tanto quanto diferentes. O transplante de sobrancelha, em alta nos últimos dias, viralizou depois de algumas celebridades aderirem à técnica, que tem um custo de R$ 7 mil a R$ 20 mil. 

Deborah Secco, Giovana Cordeiro e Bianca Andrade (Boca Rosa) estão entre as celebridades que procuraram pelo método. Derivado das consagradas técnicas de transplante capilar, o procedimento evoluiu para uma entrega de alta precisão. De acordo com o médico Vlassios Marangos, especialista em transplante de sobrancelha, o processo é minucioso. 

"Utilizamos unidades foliculares retiradas da região posterior do couro cabeludo, onde os fios são mais finos. Eles são implantados um a um, respeitando o ângulo, a direção e a curvatura natural. É um trabalho praticamente artesanal", destaca. Segundo o profissional, a seleção dos fios é uma etapa crítica. Durante a extração, priorizam-se unidades foliculares de um único fio e com calibre mais fino. 

Além disso, são escolhidas áreas do couro cabeludo em que o fio já tem uma textura compatível com a sobrancelha. "Não conseguimos mudar a natureza do fio, mas conseguimos direcionar bem a implantação. O ângulo extremamente baixo e a orientação correta fazem toda a diferença no resultado final. Ainda assim, o paciente precisa aparar e pentear os fios regularmente", detalha Vlassios Maranhos.

No entanto, o resultado não é imediato e a taxa de sobrevivência dos folículos costuma variar entre 85% e 95%, quando o procedimento é bem indicado e executado. Nos primeiros 30 dias, é comum que os fios transplantados caiam — isso faz parte do ciclo normal. O crescimento definitivo começa por volta do terceiro ao quarto mês, e o resultado mais completo aparece entre oito e 12 meses. É nesse período que o desenho final pode ser avaliado corretamente.

O sucesso da cirurgia

A dermatologista e membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) Ana Carolina Sumam reforça que a técnica mais utilizada hoje é a FUE (Follicular Unit Extraction). "Ela permite extrair unidades individuais e implantá-las com naturalidade. Embora o transplante capilar exista desde os anos 1950, a aplicação nas sobrancelhas amadureceu significativamente nas últimas duas décadas", explica.

Na hora de realizar o procedimento, é importante prever se fatores externos podem atrapalhar o sucesso da cirurgia. Micropigmentações feitas anteriormente na área, geralmente, não impedem o transplante, mas podem dificultar a avaliação estética do desenho. 

Contudo, cicatrizes que estejam presentes na sobrancelha podem interferir mais diretamente no procedimento, principalmente se houver comprometimento da vascularização local. Isso, de alguma maneira,  pode reduzir a taxa de integração dos folículos. "Ainda assim, em muitos casos é possível realizar a técnica com planejamento adequado. O resultado final mais estável costuma ser observado em torno de 12 meses."

Em um mercado dominado por tendências de sobrancelhas densas e "arrepiadas", os especialistas defendem a cautela. Como o transplante é definitivo, o design deve ignorar modas. "O desenho deve respeitar a anatomia facial e as proporções do rosto. Optamos por um resultado conservador, pois é mais fácil aumentar a densidade no futuro do que corrigir excessos", afirma Ana Carolina Sumam.

Marangos complementa que o objetivo é a harmonia a longo prazo. "Sempre oriento algo equilibrado. O objetivo é que, daqui a 10 anos, o resultado continue harmonioso, independentemente de modas que tendem a passar depressa", completa. Embora os riscos para o procedimento sejam baixos, os especialistas listam possíveis complicações como fios em direção inadequada, falhas de crescimento ou infecções raras.

A recomendação primordial é a escolha de um profissional experiente e o seguimento rigoroso do pós-operatório, evitando atritos na região e respeitando o tempo de cicatrização. E, uma vez transplantados, os fios mantêm características do couro cabeludo, crescendo continuamente. Na prática, o paciente precisará aparar os fios com frequência, geralmente a cada uma a duas semanas, além de escovar diariamente e, em alguns casos, usar gel ou modelador leve. Não é um procedimento livre de manutenção.

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Reprodução/ Instagram (@cordeirogi) - Giovana Cordeiro também investiu no procedimento