A segunda temporada de Quilos mortais Brasil chega com a proposta de ir além da balança e mergulhar nas histórias por trás da obesidade severa. O programa estreou na última quinta-feira (7/5) na HBO Max e também será exibido a partir de 12 de maio, às 20h30, no Discovery Home & Health.
Com seis episódios, a nova edição acompanha a jornada de seis participantes que enfrentam desafios físicos e emocionais em busca da cirurgia bariátrica. A proposta segue uma abordagem sensível e informativa, mostrando que a luta contra a obesidade envolve muito mais do que mudanças no corpo.
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Diferente da versão original norte-americana, o formato brasileiro opta por destacar as histórias individuais dos pacientes, em vez de centralizar a narrativa em um único médico. A escolha foi estratégica desde a primeira temporada. "Esse foi o grande desafio desde lá no início da pesquisa da primeira temporada, que a gente já foi identificando que aqui no Brasil não tinha um Dr. Now", explica Luciana Soligo, gerente de conteúdo de não ficção da Warner Bros. Discovery.
Segundo ela, a adaptação levou em conta as particularidades do sistema de saúde brasileiro. "A gente foi percebendo que, em vez de buscar por um médico que fizesse o mesmo perfil do americano, ganharíamos mais força se mostrássemos melhor os pacientes", afirma.
A diversidade de contextos sociais também influenciou diretamente a construção da narrativa. Para Fernando Contreras, VP de Produção e Operações da Endemol Shine Brasil, compreender essas diferenças foi essencial. "Esse foi o maior desafio, essa questão da diferença social, da relação, seja com a doença em si, seja com a comida, com a relação com a saúde", destaca.
Ao longo dos episódios, cada paciente é acompanhado por um médico diferente, especialista em cirurgia bariátrica, aparelho digestivo ou metabolismo. O acompanhamento vai desde a preparação até o pós-operatório, evidenciando as transformações físicas e psicológicas.
Emocional
A série também explora as origens emocionais da obesidade. Inclusive, entre os temas centrais da temporada, está a compulsão alimentar. "O que a gente pode singularizar é que não é simplesmente uma questão física; é uma questão muito psicológica", afirma Luciana. O envolvimento emocional do público com os participantes é um dos pontos fortes da produção. "No segundo minuto, você já quer torcer pela superação dos problemas", diz.
A identificação com as histórias também é destacada por Fernando. "Aqui os pacientes são brasileiros. Há uma identificação direta com a cultura, com o que as pessoas têm de vida, com os amigos."
O processo de seleção dos participantes, no entanto, exige muito cuidado. "É um processo de casting complexo, porque a gente chama de personagem de casting, mas, na verdade, são pacientes, são pessoas reais que têm um problema real", afirma Fernando.
Além das questões de saúde, a exposição diante das câmeras é um fator determinante. A equipe precisa equilibrar narrativa e respeito à vulnerabilidade dos participantes. "A gente tem esse cuidado de sempre, nesses momentos mais íntimos, ter o mínimo de pessoas possível na hora da gravação", explica Luciana. A produção também evita qualquer abordagem sensacionalista e a criação de estereótipos.
Outro diferencial é o formato "docu-follow", em que a equipe acompanha a rotina dos participantes com mínima interferência, com uma edição não enviesada. Mesmo sem interferência médica direta, há um acompanhamento durante a exibição da série, pois, mesmo que a jornada da maioria dos participantes seja bem-sucedida, o programa revive momentos difíceis do período das gravações. "Eles vivem uma jornada muito tensa, muito difícil", ressalta Luciana.
Para quem acompanhou a primeira temporada, a promessa é de uma narrativa ainda mais intensa e tocante. "As histórias estão muito profundas, muito emocionais", diz Luciana. "A gente conseguiu aprofundar mais nessa camada dos próprios personagens", acrescenta Fernando.
Ao explorar relações familiares, emocionais e sociais, a nova temporada amplia o olhar sobre a obesidade. Apesar de ser um reality sobre emagrecimento, o programa traz reflexões sobre dor, resistência e recomeço.
