Os dachshunds, popularmente conhecidos como salsicha, estão entre as raças mais reconhecidas do mundo. Com corpo alongado, patas curtas e personalidade marcante, esses cães conquistaram espaço nos lares brasileiros e nas redes sociais, onde acumulam milhares de admiradores. Mas, apesar da aparência semelhante, existem diferenças importantes entre os tipos da raça que vão muito além da estética.
Reconhecido originalmente como cão de caça na Alemanha, o dachshund foi desenvolvido para perseguir animais em tocas subterrâneas. A característica física que hoje chama atenção foi justamente o que permitiu à raça desempenhar essa função ao longo dos séculos.
Segundo o médico veterinário Edilberto Martinez, os dachshunds são divididos em diferentes tamanhos e variedades de pelagem. As versões standard, miniatura e kaninchen têm diferenças relacionadas principalmente ao peso e à circunferência torácica. "Apesar da variação de porte, todos mantêm a característica marcante da raça, com corpo alongado e patas curtas, lembrando uma salsicha, origem do apelido pelo qual a raça ficou popularmente conhecida", explica.
Embora muita gente associe o tamanho a diferenças de personalidade, o veterinário afirma que o comportamento costuma variar mais de acordo com fatores individuais do que pelo porte. "Os dachshunds são cães ativos, corajosos, curiosos, inteligentes e bastante ligados à família. O temperamento depende muito mais da genética, da socialização e do ambiente em que vivem do que do tamanho propriamente dito", destaca.
A principal preocupação relacionada à raça está na saúde da coluna vertebral. Por conta da conformação física característica, os dachshunds apresentam predisposição a problemas como a doença do disco intervertebral, popularmente conhecida como hérnia de disco.
De acordo com Edilberto, a prevenção passa por medidas simples, mas que precisam fazer parte da rotina dos tutores. "É recomendável evitar que o cão pule frequentemente de sofás, camas e escadas. Manter o peso adequado também é fundamental. Exercícios regulares e fortalecimento muscular ajudam a proteger a coluna e reduzir o risco de lesões", orienta. O especialista explica ainda que cães com excesso de peso podem sofrer maior sobrecarga mecânica sobre a coluna, aumentando os riscos de problemas futuros.
Além da questão física, a escolha de um dachshund exige que o tutor compreenda as características comportamentais da raça. "Não se trata apenas de um cão de companhia para ficar no colo. É uma raça que demanda atividade física, estímulo mental e acompanhamento veterinário regular", ressalta.
Pelagem
Além das diferenças de tamanho, os dachshunds podem apresentar três tipos de pelagem: curta, longa ou dura. No Brasil, a variedade de pelo curto segue como a mais popular.
Segundo o professor João Paulo Lacerda, do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), a preferência está relacionada à praticidade nos cuidados diários. "Essa preferência está ligada à facilidade de manejo da pelagem, menor necessidade de escovação e à ampla divulgação dessa variedade nas redes sociais e na mídia", afirma.
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Apesar disso, João alerta que os cuidados não devem ser negligenciados, independentemente do tipo de pelo. "Um erro comum é acreditar que cães de pelo curto não necessitam de cuidados regulares. Todos precisam de higiene adequada, acompanhamento dermatológico e observação frequente da pele", explica. Ele também chama atenção para a busca crescente por cores consideradas raras ou exóticas. "Quando a seleção prioriza apenas características estéticas, existe o risco de negligenciar aspectos relacionados à saúde e à diversidade genética, aumentando a incidência de doenças hereditárias", alerta.
O professor destaca ainda que algumas colorações podem estar associadas a genes que exigem maior atenção em programas de reprodução responsável. "Independentemente da pelagem, o principal cuidado com o dachshund continua sendo a saúde da coluna vertebral", completa.
Personalidade
A rotina com um dachshund é algo que o estudante Ivan Melo conhece bem. Aos 20 anos, ele divide a casa com Dejota, um salsicha de nove anos que ganhou dos pais quando ainda era criança. "Sempre foi meu sonho ter um cachorro. Meus tios já tinham dois da mesma raça e convenceram meus pais a adotar um também", conta.
Segundo Ivan, a energia é uma das características mais marcantes do companheiro. "Ele sempre foi muito curioso e agitado. Essa raça costuma se adaptar muito bem aos ambientes familiares porque tem muita energia e muito carinho para oferecer."
Os cuidados recomendados pelos especialistas também fazem parte da rotina da família. "A gente procura passear bastante e evitar que ele pule em sofás ou cadeiras, porque a coluna dele é muito sensível. Ensinei comandos para ele esperar ajuda antes de subir ou descer dos lugares."
Entre as histórias vividas ao lado do pet, uma se tornou inesquecível. "Durante um passeio de madrugada, um homem me abordou e me ameaçou com uma faca. O Dejota começou a rosnar e depois a latir. O homem acabou indo embora", relembra.
A técnica de enfermagem Flávia Ramos também faz parte do grupo de apaixonados pela raça. Ela é tutora de Frederico, um dachshund miniatura de 10 meses, que já possui perfil próprio nas redes sociais. "O Frederico participa de tudo na nossa rotina. Faço passeios três vezes ao dia, treinos de obediência, enriquecimento ambiental e procuro oferecer alimentação e petiscos naturais", relata.
Segundo ela, a energia característica da raça exige criatividade para manter o cão estimulado. "Ele está sempre ligado no 220 volts. Ama brincar, correr e explorar tudo que vê pela frente."
A dedicação aos treinos também trouxe resultados importantes. Flávia conta que Frederico apresentava dificuldades de socialização quando era filhote, situação que melhorou após acompanhamento profissional. "Ele latia bastante e era reativo. Levamos para o adestramento e houve uma melhora enorme. Hoje ele entende os comandos e se adapta muito bem à rotina da casa."
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