Saúde

Visão impactada: catarata pode acometer pessoas de todas as idades

O aumento das cirurgias de catarata entre pessoas mais novas reforça que o diagnóstico independe da idade

Exames oftalmológicos constantes são essenciais no diagnóstico precoce da catarata
     -  (crédito: Manific)
Exames oftalmológicos constantes são essenciais no diagnóstico precoce da catarata - (crédito: Manific)

Antigamente descrita como opacificação da lente natural do olho, a catarata é uma degradação da qualidade óptica do cristalino. Essa condição bloqueia e distorce a passagem da luz, o que causa uma visão turva ou embaçada, e pode ter diversas causas, como diabetes, traumas oculares e exposição excessiva aos raios UVs. Na maioria dos casos, o fator de maior importância é o envelhecimento ocular e a senilidade dos olhos. No entanto, as operações cirúrgicas corretivas para catarata em pessoas mais novas têm aumentado nos últimos anos. 

Clécio Rodrigues, professor de história, relata que precisou fazer a cirurgia aos 52 anos após uma recomendação médica. "Usei óculos desde muito jovem, e estava querendo me livrar dele. Tinha uma catarata nível 1 evoluindo para nível 2, o médico me disse que algum dia eu precisaria fazer, então eu aproveitei", afirma ele, que não necessita mais do uso de óculos. 

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Essas alterações na visão podem começar a ocorrer depois dos 40 anos, mas os sintomas mais graves se manifestam, geralmente, após os 60. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio do Relatório Mundial sobre a visão (2024), 65 milhões de pessoas têm problemas associados à catarata, o que a torna uma doença muito comum e perigosa se não for tratada corretamente. 

O médico Bruno Fontes, diretor da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, afirma que o aumento das cirurgias de cataratas feitas entre uma parcela mais jovem não se dá pela mudança de hábitos, por exemplo, o uso abundante de telas, mas, sim, pela tecnologia de excelência empregada nas operações. "A cirurgia atualmente é de alto nível, podendo ser empregada em correções de graus em pessoas com mais de 55 anos de idade. Então, não é preciso esperar a condição amadurecer."

Além disso, o oftalmologista relembra que, com o aumento da expectativa de vida da população, é normal que a maioria das pessoas busque tratar suas condições antes para conseguir envelhecer com uma melhor qualidade de vida. 

Para casos de pessoas com diabetes ou que fazem uso de medicamentos com corticoides, a formação de catarata precoce é mais recorrente. O restante da população pode tomar certas atitudes que retardam o acontecimento dessa doença, como o uso de óculos de Sol quando há a exposição direta. "Apesar do avanço da tecnologia, não existem ainda mecanismos que consigam retardar efetivamente esse quadro", afirma Bruno. 

Sintomas 

Os sinais na visão da pessoa variam conforme o tipo de catarata. Mas os mais comuns são:

- Diminuição da clareza visual

- Dificuldade para enxergar — principalmente para dirigir, ler e andar

- Visão duplicada ou embaçada

- Sensibilidade à luz

- Alteração das cores — perdem o brilho

- Mudanças rotineiras no grau dos óculos

Diagnóstico 

Exames como lâmpada de fenda e mapeamento de retina, realizados por um oftalmologista, conseguem avaliar a transparência do cristalino e verificar a existência ou não da catarata no olho do paciente. Recomenda-se que esses exames sejam feitos anualmente por pessoas com mais de 65 anos, e uma vez a cada dois anos por pessoas mais jovens. 

Tratamento 

A única forma de retirada da catarata é por meio de cirurgia, que consiste na substituição do cristalino por uma lente intraocular. 

Recuperação 

A operação dura entre 15 e 30 minutos e o paciente retorna para casa no mesmo dia, seguindo as recomendações médicas de repouso e uso de colírios. Importante lembrar que cada olho é feito em um dia, para que o paciente consiga recuperar um dos lados e evitar infecções. 

 

Palavra do especialista 

Os sintomas vistos em pessoas mais jovens são diferentes dos vistos em pessoas idosas? 

No tocante à manifestação da catarata, quando se trata do envelhecimento natural do cristalino, pacientes mais idosos tendem aos sintomas de embaçamento progressivo e dificuldade para visualização em geral, independentemente da distância. Entretanto, pacientes jovens também podem desenvolver opacidade e reportar sintomas semelhantes, muitas vezes negligenciados em consultas de rotina, mas que, diante do especialista, conclui-se tratar de catarata.

O olho, quando mais jovem, possui tecidos mais elásticos e a cápsula do cristalino é mais resistente. Nesse sentido, a cirurgia torna-se facilitada ou mais complexa? 

Embora o aparelho utilizado para remoção da catarata seja o mesmo, independentemente da idade, devido ao grau de opacidade do cristalino ser menor em pacientes jovens, o cirurgião geralmente necessita de menos energia do aparelho no processo cirúrgico.

Muitas pessoas têm procurado a cirurgia de catarata devido a tecnologia dela para, por exemplo, a correção do grau. Essa busca pode ser feita ou o procedimento deve ser realizado somente em casos de catarata?

Até pouco tempo atrás, a cirurgia de catarata encontrava indicação apenas em casos de opacidade do cristalino, mais comum em pacientes idosos. Porém, com o avanço da tecnologia na área oftalmológica, principalmente nos aparelhos que auxiliam o cirurgião na remoção do cristalino, bem como nas lentes intraoculares que devolvem a qualidade visual, a cirurgia torna-se uma excelente opção para disfunções do cristalino que manifestem graus, mesmo que sem opacidade considerável.

Carlos José de Souza é cirurgião oftalmológico

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

 

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postado em 05/07/2026 06:00
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