
Durante muito tempo, os relacionamentos tinham um ritmo diferente. O encanto estava em construir uma "imagem perfeita", junto com a química do encontro. Agora, esse cenário começa a mudar. Entre a Geração Z, composta pelos nascidos entre 1997 e 2012, mostrar quem realmente se é, com qualidades, medos e imperfeições, deixou de ser um risco e passou a ser um dos principais fatores de atração.
Uma pesquisa realizada pelo aplicativo de relacionamentos Hinge com 2 mil brasileiros entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 aponta que 31% da Geração Z acreditam que uma conexão só é realmente autêntica quando existe segurança para revelar vulnerabilidades, inseguranças e características pessoais. Entre os Millennials, aqueles nascidos entre 1981 e 1996, esse número cai para 19%. Nesse grupo, o fator mais valorizado é a química emocional e física, escolhida por 28% dos entrevistados.
A tendência também aparece em outros países. O relatório global Gen Z D.A.T.E., produzido pelo Hinge com mais de 30 mil usuários, mostra que 84% dos jovens querem construir relações mais profundas. Ao mesmo tempo, existe um obstáculo comum. O medo de ser julgado ainda impede muita gente de se abrir logo no começo da relação. Segundo o estudo, 52% dos participantes disseram já ter sentido vergonha ou arrependimento depois de compartilhar algo muito pessoal, uma sensação que o aplicativo chama de “ressaca da vulnerabilidade”.
Para o psicólogo de casais e especialista em relacionamentos, Moe Ari Brown, esconder partes da própria personalidade pode enfraquecer as conexões. “Quando há uma diferença entre a forma como achamos que deveríamos agir e nos comunicar e a forma como realmente queremos nos expressar, os encontros podem se tornar menos genuínos e satisfatórios. As conexões são mais fortes quando ambas as pessoas se sentem à vontade para participar da maneira que realmente desejam”, afirma.
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Segundo o especialista, a vulnerabilidade pode ser desenvolvida aos poucos. “Reconstrua sua tolerância. Pratique pequenas revelações em espaços de confiança. Com o tempo, você pode se reaprender a enxergar a vulnerabilidade como algo seguro e até empolgante”.
A mudança também acompanha uma transformação cultural vivida pela Geração Z. Em uma época em que as redes sociais exibem vidas cuidadosamente editadas e performances, muitos jovens passaram a valorizar justamente o oposto. Conversas sinceras, demonstrações de fragilidade e autenticidade ganharam espaço como sinais de “maturidade emocional”.
*Estagiária sob supervisão de Benjamin Figueredo

Revista do Correio
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