Existem momentos na vida que chegam disfarçados de despedida, mas que, na verdade, são grandes começos. Foi exatamente assim que me senti na formatura do meu filho caçula, Felipe Suplicy, na Escola das Nações.
Enquanto observava aqueles jovens atravessarem o palco, vestidos para celebrar o encerramento de um ciclo que começou ainda na primeira infância, percebi que estava assistindo ao término de uma etapa que levou anos para ser construída e, ao mesmo tempo, ao primeiro capítulo de uma história completamente nova.
Felipe cresceu naquela escola.
Ali aprendeu matemática, literatura, ciências e idiomas. Mas, olhando para trás, vejo que as lições mais importantes tenham acontecido nos intervalos entre as disciplinas. Nos conflitos resolvidos com diálogo. Nas amizades cultivadas ao longo dos anos. Nos projetos coletivos. Nas diferenças respeitadas. Na convivência com colegas vindos de diferentes culturas, religiões, histórias e nacionalidades.
A excelência que testemunhei naquela cerimônia não parecia restrita ao desempenho acadêmico. Ela se manifestava principalmente na qualidade humana daqueles jovens.
E isso me emocionou profundamente.
Vivemos uma época em que a inteligência costuma ser medida pela velocidade de processamento, pela capacidade de resolver problemas ou pela acumulação de conhecimento. Mas, cada vez mais, acredito que o futuro pertencerá àqueles que souberem combinar competência técnica com consciência humana.
Um dos momentos mais tocantes da cerimônia aconteceu durante o discurso do headmaster da escola,
Mr. Danyel Dalmaschio. Com serenidade e profundidade, ele falou sobre a enorme responsabilidade que é participar da formação de jovens como aqueles que estavam diante dele.
Enquanto o ouvia, pensei em quantas mãos contribuíram para que meu filho chegasse até ali.
Professores, funcionários, amigos, outras famílias, mentores. O Afonso, sempre na portaria recebendo com um sorriso no rosto...
Curiosamente, poucos dias depois dessa formatura, participei em Brasília do Primeiro Encontro Internacional para a Promoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, representando o Brasil como embaixadora da Paz.
Ali, cercada por lideranças, especialistas e representantes de diferentes países, ouvi discussões sobre os grandes desafios da humanidade: educação, desigualdade, sustentabilidade, cooperação internacional e cultura de paz.
E, então, algo bonito aconteceu.
Percebi que o discurso do Mr. Danyel Dalmaschio ainda ecoava dentro de mim.
A conexão era inevitável.
De um lado, uma escola bilíngue em Brasília dedicada há décadas a acolher crianças de diferentes nacionalidades e formar cidadãos do mundo.
De outro, uma organização global reunindo países em torno de objetivos comuns para o futuro da humanidade.
Escalas diferentes.
A mesma essência.
Ambas partem da mesma convicção: um mundo melhor não nasce apenas de grandes decisões políticas ou avanços tecnológicos. Ele nasce das relações que construímos. Da forma como educamos nossas crianças. Da capacidade de enxergar dignidade no outro, mesmo quando ele fala outra língua, vem de outra cultura ou habita outro continente.
Fechei um ciclo como mãe de um estudante da Escola das Nações e, quase simultaneamente, participei de um encontro que ampliava essa mesma conversa para o planeta inteiro.
Saí dessas experiências cheia de esperança, e que venham as novas fases, os novos desafios e as novas conquistas.
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