
Na semana passada, escrevi sobre João Fonseca e sobre essa alegria quase infantil de ver um brasileiro entrar em Roland Garros não apenas para participar, mas para nos devolver a sensação de que o Brasil também sabe sonhar grande dentro de uma quadra de tênis.
Pois mal tivemos tempo de guardar aquela emoção, e veio outro menino nos lembrar que o nosso celeiro de grandes atletas parece estar melhor do que nunca.
Guto Miguel, goiano de 17 anos, radicado aqui na capital federal, fez história em Paris. Com talento de gente grande e frescor de menino, venceu Roland Garros juvenil e colocou o Brasil no alto do saibro francês juvenil pela primeira vez na história. Não foi apenas uma vitória. Foi uma espécie de anúncio: presta atenção "nos novinho" do Brasil, que tem surpresa boa aí!
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Bom lembrar que nada disso acontece por acaso. A vida desses meninos é muito mais dura do que a foto no pódio faz parecer. Por trás de cada saque, há horas infinitas de treino, repetição, disciplina, renúncia e dor. O tênis exige domínio emocional quase cirúrgico, força mental para atravessar a solidão das viagens, maturidade para perder e recomeçar, além de um corpo inteiro convocado ao limite: músculos, tendões, articulações, reflexos, resistência.
São jovens ainda em formação, enfrentando lesões por esforço repetitivo, exaustão, pressão, aeroportos, fusos horários, distância da família — e, mesmo assim, entram em quadra e brilham como se o impossível fosse apenas mais uma bola a ser devolvida. Que coisa maravilhosa é testemunhar esses garotos, fico emocionada.
E ainda por cima eles não carregam só potência no braço. Carregam foco, educação, disciplina, gratidão, família, equipe, fé e uma maturidade que emociona. Eles parecem entender que o talento abre a porta, mas é o caráter que levanta a torcida e faz o país vibrar com eles.
De Goiânia para Brasília, de Brasília para Paris e agora... o mundo ficou ao alcance da raquetada do Guto!
Depois de João Fonseca reacender a chama, Guto Miguel chega para tocar fogo geral e provar que a chama não era isolada: era incêndio bom, desses que iluminam toda uma geração.
Deu Brasil no saibro.
E, pelo visto, ainda vai dar muito mais.
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