
A Espanha vem ganhando espaço entre os brasileiros que buscam mais do que o aprendizado do espanhol. Segundo dados da Experimento Intercâmbio Cultural, cresce o interesse por programas que combinam o idioma com experiências culturais, desenvolvimento profissional e qualidade de vida, além da procura por cidades que vão além dos tradicionais destinos de Madrid e Barcelona.
Na comparação entre janeiro e julho de 2026 e o mesmo período de 2025, a procura pelo destino registrou crescimento de 16% no número de estudantes. Atualmente, a Espanha representa cerca de 3% das vendas de programas de idiomas analisadas, ocupa a 7ª posição entre os destinos procurados pelos estudantes da empresa e é o principal destino de idiomas cuja língua principal não é o inglês nesse levantamento.
Para Renata Bueno, diretora-geral da Experimento Intercâmbio Cultural, esses indicadores refletem uma transformação no comportamento do estudante brasileiro. A Espanha sempre foi um destino muito associado ao aprendizado do idioma, mas hoje percebemos que ela passou a representar algo maior. O estudante brasileiro busca uma experiência internacional completa, que combine formação, vivência cultural, qualidade de vida e, em muitos casos, desenvolvimento profissional. O idioma continua sendo importante, mas deixou de ser o único fator na decisão, explica.
Novos destinos e experiências
Essa mudança também pode ser observada na escolha das cidades. Embora Madrid e Barcelona permaneçam como os principais destinos, cresce o interesse por localidades como Málaga, Valência e Granada, que vêm conquistando espaço por oferecerem uma combinação de qualidade de vida, imersão cultural e experiências mais próximas da rotina local.
Outro reflexo dessa transformação aparece na escolha dos programas. O tradicional curso de Espanhol Geral continua liderando a procura, mas cresce o interesse por formatos que unem aprendizado e experiências culturais, como espanhol combinado à gastronomia ou flamenco, programas voltados ao público sênior e modalidades que permitem conciliar estudo e trabalho.

O que considerar ao escolher uma cidade para estudar na Espanha?
Com mais possibilidades de destinos e formatos, a escolha não precisa se limitar às cidades mais conhecidas. Segundo Renata Bueno, alguns aspectos podem ajudar o estudante a avaliar qual opção faz mais sentido para seus objetivos, como:
- Objetivo da viagem: entender se a prioridade é aprender o idioma, ter uma vivência cultural, desenvolver competências profissionais ou combinar diferentes objetivos;
- Estilo de vida: cidades maiores e destinos menores podem proporcionar rotinas e formas de imersão cultural bastante diferentes;
- Custo-benefício: acomodação, alimentação, transporte e duração do programa devem entrar na comparação entre os destinos;
- Possibilidades acadêmicas e profissionais: dependendo do perfil do estudante, vale considerar programas que permitam combinar o idioma com outras áreas de interesse;
- Tempo disponível: a duração da viagem também interfere na escolha do curso e na experiência de imersão no país.
Também observamos um consumidor mais informado e criterioso. Além de comparar destinos, ele avalia estilo de vida, custo-benefício, oportunidades acadêmicas e profissionais e o tipo de experiência que deseja viver. Isso explica o crescimento de cidades além de Madrid e Barcelona e de programas que unem idiomas, cultura e trabalho, refletindo uma busca por intercâmbios cada vez mais personalizados, afirma Renata Bueno.
Mudanças no perfil dos estudantes e novas tendências de intercâmbio
O levantamento da Experimento Intercâmbio Cultural também mostra que a Espanha atrai um público relativamente mais maduro. A idade média dos estudantes é de aproximadamente 28 anos. Embora a faixa entre 18 e 30 anos continue predominando, cresce a participação de pessoas acima dos 30 anos e também do público 50+, especialmente em programas voltados à aprendizagem contínua e experiências culturais.
Outro indicador que reforça essa mudança é a duração das viagens. Os programas possuem permanência média de aproximadamente quatro semanas, mas os dados analisados indicam maior procura por cursos mais longos, principalmente entre estudantes interessados em combinar o aprendizado do idioma com uma experiência profissional por meio de programas de estudo e trabalho.
Para Renata Bueno, a diversificação de destinos, públicos e formatos mostra que a escolha de um intercâmbio está cada vez mais relacionada aos objetivos individuais de cada estudante. Por isso, comparar não apenas o país, mas também cidade, duração, formato do programa e possibilidades oferecidas pelo destino se tornou parte importante do planejamento de uma vivência internacional.
Por Jessi Kovatch
