Carreira & Negócios

5 sinais de que a descrição do seu cargo está perdendo a validade

Especialista explica como a inteligência artificial está mudando as funções dentro das empresas e o que fazer para se preparar

As mudanças no mercado de trabalho já mostram que algumas descrições de cargo não acompanham mais a realidade (Imagem: DC Studio | Shutterstock) -  (crédito: EdiCase)
As mudanças no mercado de trabalho já mostram que algumas descrições de cargo não acompanham mais a realidade (Imagem: DC Studio | Shutterstock) - (crédito: EdiCase)

A descrição de cargo, aquele documento que lista as tarefas e responsabilidades de cada função, organiza o trabalho nas empresas há mais de um século. Mas ela pode estar com os dias contados. O relatório Future of Jobs, do Fórum Econômico Mundial, projeta que 39% das competências exigidas dos profissionais vão mudar até 2030. Ou seja: boa parte do que está escrito no papel hoje já nasce desatualizada.

A chegada da inteligência artificial ao dia a dia das empresas acelera esse movimento. “Hoje a gente trabalha com job description, e em alguns meses não vai ser mais assim. O líder deixa de executar o plano e passa a orquestrar pessoas e agentes”, explica Bruno Pinheiro, diretor executivo da Groovia, consultoria de implementação de inteligência artificial em grandes empresas.

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Para quem trabalha em escritório, entender essa mudança deixou de ser assunto de departamento de recursos humanos: é o que vai definir quais habilidades valem mais no mercado nos próximos anos. Abaixo, confira 5 sinais de que essa transformação já começou e veja como se preparar!

1. As competências mudam mais rápido que os cargos

Se quase 40% das habilidades exigidas dos profissionais vão mudar em poucos anos, como projeta o Fórum Econômico Mundial, nenhuma lista fixa de tarefas dá conta de acompanhar. Segundo Bruno Pinheiro, o caminho é olhar menos para o nome do cargo e mais para as capacidades que você desenvolve. “O momento não é de demitir, é de potencializar o que as pessoas fazem”, afirma.

2. Boa parte do trabalho já acontece fora do papel

Uma pesquisa da consultoria Deloitte, feita com 1.246 executivos e trabalhadores, mostrou que 63% do trabalho executado nas empresas acontece fora da descrição formal de cargo. Você provavelmente reconhece a cena: foi contratado para uma função e, na prática, responde por outras três. “A tecnologia acelera essa mudança, mas o desafio é redesenhar papéis e responsabilidades para uma operação em que pessoas e agentes dividem a execução”, diz o especialista.

3. Os colegas de trabalho digitais estão chegando

No estudo “Work Trend Index“, da Microsoft com o LinkedIn, 82% dos líderes afirmam que pretendem incorporar trabalhadores digitais às equipes em até um ano e meio. São os chamados agentes de inteligência artificial: programas capazes de executar tarefas completas, como preparar um relatório ou responder a um cliente.

Quando parte das tarefas passa para a máquina, observa Bruno Pinheiro, o que define o profissional deixa de ser a lista de atribuições e passa a ser a capacidade de dirigir bem esses agentes: descrever o problema com clareza, revisar o que voltou e decidir o que vai adiante.

Mulher loira de óculos analisando gráficos, mapas globais e dados financeiros em uma tela holográfica futurista no notebook.
A falta de preparo dos executivos pode fazer com que funcionários sejam cobrados pelo uso de uma tecnologia que não dominam (Imagem: Khakimullin Aleksandr | Shutterstock)

4. Ninguém sabe quem é o dono da mudança

Em muitas empresas, a agenda de inteligência artificial circula entre recursos humanos, tecnologia e jurídico sem um responsável definido. Cada área acha que a outra está cuidando, e a revisão dos cargos fica parada. Enquanto isso, a cobrança chega ao funcionário. “O executivo não tem letramento suficiente, mas implementa mesmo assim e cobra de quem não sabe usar”, afirma Bruno Pinheiro.

5. Quem decide nunca viu a tecnologia funcionar

Nas formações que conduz com lideranças de grandes empresas, o especialista constata que a maioria dos executivos chega sem nunca ter visto a tecnologia rodar na prática. E são essas pessoas que estão decidindo quais funções mudam. O resultado aparece na rotina: sem orientação clara, calcula Bruno Pinheiro, cerca de 60% das tarefas passadas a um agente de inteligência artificial voltam erradas, e o profissional acumula a revisão da máquina com o próprio trabalho.

Como se preparar para essa mudança?

A boa notícia é que dá para sair na frente sem esperar a empresa se organizar. O primeiro passo é o letramento: buscar entender o que a inteligência artificial faz bem e o que ela ainda não faz, testando as ferramentas disponíveis no próprio trabalho, dentro das regras da companhia.

O segundo é um exercício simples: liste o que de fato ocupa a sua semana, compare com a descrição oficial do seu cargo e marque o que já poderia ser delegado a uma ferramenta. O que sobra dessa lista as decisões, os relacionamentos, o julgamento sobre o que é bom ou ruim é o núcleo do seu valor profissional daqui para a frente.

Por fim, vale levar essa conversa ao gestor antes que a empresa a faça sozinha. “Quem pular etapas sente o efeito em seis a doze meses, na forma de projetos sem retorno, retrabalho e equipes sobrecarregadas”, alerta Bruno Pinheiro. Para o profissional, o raciocínio é o mesmo: quanto antes começar a se adaptar, menor o susto quando a mudança chegar ao papel.

Por Adriano Ortolani

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PE
postado em 04/09/2026 16:39
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