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Como falar sobre sentimentos com crianças? Veja 5 cuidados ao contar histórias

Personagens, imagens e perguntas podem estimular o diálogo sem exigir respostas ou relatos pessoais

A leitura compartilhada pode abrir espaço para conversas sobre sentimentos e experiências (Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock)  -  (crédito: EdiCase)
A leitura compartilhada pode abrir espaço para conversas sobre sentimentos e experiências (Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock) - (crédito: EdiCase)

Uma personagem sente medo diante de uma novidade. Outra acumula perguntas ou enfrenta uma situação que não sabe explicar. Na literatura infantil, essas experiências podem dar início a conversas sobre sentimentos que nem sempre são fáceis de colocar em palavras.

Para a psicopedagoga e escritora infantojuvenil Paula Furtado, a ficção oferece uma oportunidade de abordar essas questões a partir das situações vividas na narrativa. A proposta é preservar o prazer da história e permitir que cada criança encontre sua própria forma de participar.

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Um exemplo é a personagem Bibi, protagonista de Nó no Peito, obra em que uma menina tenta compreender um aperto que surge entre dúvidas, medos e pensamentos de “e se…?”.  Quando a literatura preserva a metáfora, a fantasia e a beleza da história, ela cria uma distância segura. É muito mais fácil a criança falar sobre o que acontece com a Bibi para, depois, conseguir falar sobre o que acontece com ela mesma, explica a autora.

Para colocar essa ideia em prática no dia a dia, alguns cuidados ajudam a organizar o momento de leitura e a conversa em família. Confira!

1. Preserve o prazer de acompanhar a história

Antes de propor qualquer conversa sobre emoções, vale dar espaço à aventura, ao humor, à curiosidade e às descobertas que o livro oferece. A leitura não precisa terminar com uma lição nem com uma explicação sobre o comportamento dos personagens.

Escolha uma obra que desperte o interesse da criança e permita que ela explore o enredo no próprio ritmo. Ao final, é importante perguntar a opinião da criança, o que achou do final, se mudaria alguma coisa e por quê. O que chama sua atenção pode ser diferente daquilo que o adulto considera mais importante.

2. Comece pelo que o personagem vive

Uma conversa sobre a história pode ser um convite mais leve ao diálogo do que abordar diretamente a vida da criança. O que será que deixou essa personagem preocupada? ou o que você achou dessa parte?, são possibilidades.

Evite procurar uma resposta certa ou estabelecer comparações imediatas, como você faz igual a ele. O objetivo é ouvir a interpretação do pequeno sem exigir que ele reconheça em si o mesmo sentimento.

Mãe e seu filho pequeno sentados juntos sobre uma cama, em um quarto aconchegante, durante a noite. A mãe tem castanho-claro, longos, volumosos e cacheados. Ela veste uma camiseta de manga curta em tom bege. O menino tem cabelos loiros e veste um pijama de manga longa em tom roxo ou lilás, com listras verticais claras. Os dois estão sentados lado a lado, próximos um do outro, enquanto seguram e observam juntos um livro infantil aberto sobre a cama. A mãe envolve o filho com o braço e sorri enquanto olha para ele e para o livro, enquanto a criança acompanha a leitura com expressão tranquila e concentrada. A cama possui lençóis e travesseiros em tons claros, e a iluminação quente e suave deixa o ambiente acolhedor, reforçando a sensação de leitura antes de dormir.
As ilustrações também fazem parte da narrativa e podem despertar diferentes interpretações (Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock)

3. Dê espaço para observar as ilustrações

As imagens também fazem parte da narrativa. Expressões, cores, gestos e detalhes do cenário oferecem outros caminhos para explorar o que acontece ao longo da leitura.

O adulto pode perguntar o que a criança percebe em uma página ou deixá-la escolher uma imagem sobre a qual queira comentar. Não é necessário explicar cada elemento: uma mesma ilustração pode despertar impressões diferentes; o adulto pode ajudá-la a construir a própria leitura.

4. Respeite a vontade de falar ou ficar em silêncio

Nem toda experiência com um livro resulta em uma conversa, e isso não significa que o encontro perdeu seu valor. A criança pode preferir escutar, voltar a uma página, fazer uma pergunta sobre outro assunto ou simplesmente acompanhar a narrativa.

Se surgir um relato pessoal, acolha o que ela disser sem minimizar sua experiência com frases como isso não é nada. Também não é preciso insistir em detalhes que ela não queira compartilhar.

5. Deixe espaços para outros momentos

O diálogo não precisa acabar na última página. A história pode voltar a ser assunto durante uma brincadeira, um desenho ou em outro momento de leitura, caso a criança demonstre interesse.

Mais do que obter uma resposta imediata, a proposta é oferecer tempo e disponibilidade para escutar. Assim, o livro mantém seu espaço de imaginação e descoberta, com liberdade para perguntas, comentários e novas interpretações.

Por Elenice Costola

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PE
postado em 08/10/2026 14:11
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