Cidade Nossa

Cidade Nossa: Votar não basta

O exercício pleno da cidadania exige cobrança contínua, combate à intolerância e a resgate do diálogo como prática diária

REV-2510-CRONICA. Eleição, povo, Congresso -  (crédito: maurenilson)
REV-2510-CRONICA. Eleição, povo, Congresso - (crédito: maurenilson)

Por Graça Seligman 

A democracia se fortalece quando os cidadãos, além de votar, participam da vida pública, acompanham as decisões dos governantes e defendem seus direitos. Votar é necessário e muito importante. É pelo voto que escolhemos quem nos representa e damos legitimidade a quem governa. Mas o voto é o ato de um dia, e a democracia se constrói nos anos que vêm depois dele.

Eleger alguém não é passar um cheque em branco. Cabe a nós acompanhar o que fazem os eleitos, cobrar os compromissos assumidos na campanha e manifestar nossas posições. Para isso, são indispensáveis o olhar atento, a imprensa livre e o respeito às instituições e às opiniões diferentes das nossas. São valores fundamentais para uma sociedade democrática, harmoniosa e respeitosa. Infelizmente, não é o que temos visto.

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Os debates políticos, mesmo em períodos não eleitorais, estão cada vez mais vazios de propostas e programas, reduzidos a promessas soltas. Na forma, estão mais acirrados, muitas vezes carregados de intolerância e ódio. Essas atitudes alimentam as redes sociais e são realimentadas por elas. As divergências já não ficam entre os candidatos, mas criam desavenças entre familiares e amigos e invadem as universidades e quase todos os espaços de convivência. Numa democracia, discordar é natural e mesmo necessário. Parece cada vez mais difícil, no entanto, compreender que o adversário político não é um inimigo. É alguém que também faz parte da sociedade e merece respeito.

Mesmo diante dessas dificuldades, é preciso preservar a esperança. A democracia amadurece quando escolhemos o diálogo em vez da agressividade, a informação em vez da mentira e o respeito em vez do ódio. Democracia é também uma prática cotidiana de convivência. Para fortalecê-la, é preciso agir todos os dias, ouvir antes de julgar, conferir as informações antes de compartilhá-las, questionar ideias sem atacar pessoas e buscar o diálogo mesmo diante dos conflitos.

Afinal, repito, a democracia não se realiza apenas nas urnas. Ela é um modo de convivência e um método para escolher quem é capaz de conduzir o Estado de acordo com os desejos e as necessidades da sociedade. Depende das escolhas que fazemos, das palavras que usamos e da disposição de construir, juntos, uma sociedade mais justa e respeitosa. Votemos e aprofundemos a cidadania depois do voto. 

Graça Seligman é jornalista e fotógrafa

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postado em 25/10/2026 06:00
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