
A cada início de ano, o setor do turismo volta seus olhos para novas tendências, destinos e segmentos que devem ganhar destaque nos meses seguintes. Para 2026, porém, há um tema que não pode mais ser tratado como novidade ou nicho: o afroturismo.
Mais do que uma proposta de viagem, o afroturismo reúne práticas de gestão responsável, inclusão social e valorização dos saberes tradicionais, além de contribuir, em muitos territórios, para a preservação ambiental. Trata-se de um modelo que conecta turismo, cultura, identidade e desenvolvimento local.
Em 2025, o afroturismo consolidou avanços significativos no cenário nacional ao ampliar seu reconhecimento institucional e político. Além da criação de uma categoria específica no Prêmio Nacional do Turismo, promovido pelo Ministério do Turismo, o segmento passou a contar com iniciativas próprias de valorização, como o Prêmio do Afroturismo (Guia Negro) — uma premiação independente organizada pela plataforma Guia Negro, cuja terceira edição ocorreu em abril de 2025 durante a WTM Latin America — e o Prêmio Rotas Negras, lançado pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR).
LEIA TAMBÉM: Em Marrakech, chef Rachid Agouray dá receita tradicional para 2026
Somam-se a esses marcos a realização do primeiro Congresso Nacional de Afroturismo, que reuniu gestores públicos, pesquisadores, empreendedores e representantes do trade turístico, fortalecendo o debate, a articulação institucional e a construção de políticas e produtos voltados ao segmento.
O debate sobre a superação do termo “turismo étnico” ganha relevância nesse contexto, uma vez que se trata de uma vertente do turismo cultural que não abrange a totalidade das expressões, territórios e vivências da cultura afro-brasileira. Ao limitar a experiência a recortes específicos, o conceito se mostra insuficiente para representar a complexidade e a amplitude dessas narrativas.
Nesse sentido, a adoção do termo afroturismo traduz de forma mais precisa essa prática, ao reconhecer a cultura afro em sua integralidade, valorizando territórios, memórias, saberes ancestrais e o protagonismo de pessoas negras no turismo.
LEIA TAMBÉM: Turismo regenerativo: você já ouviu falar desse conceito?
Com mais da metade da população brasileira se autodeclarando negra, segundo dados do IBGE, ampliar o acesso ao lazer, às viagens e à representação no turismo é uma pauta urgente. O afroturismo aponta caminhos para um setor mais diverso, plural e conectado à realidade do Brasil.
O desafio para 2026 é claro: transformar o afroturismo em política pública, produto turístico estruturado e prática cotidiana do mercado — não como exceção, mas como parte central do turismo brasileiro.
Siga o @portaluaiturismo no Instagram e no TikTok @uai.turismo

