
Para os gestores municipais, o Carnaval está longe de ser apenas uma festa. Ele representa um campo permanente de disputa entre expectativa popular, limitações administrativas e decisões políticas. A cada ano, o desafio é o mesmo: realizar uma edição melhor que a anterior, mesmo diante de entraves estruturais que insistem em se repetir, gerando oportunidades para o turismo nos municípios.
O calendário joga contra. O Carnaval acontece no início do ano, período em que muitas prefeituras ainda não concluíram a abertura do exercício contábil. Os processos de contratação pública são lentos, exigem planejamento prévio e cumprimento rigoroso da legislação, enquanto a cobrança da população é imediata. O recado das ruas é claro: as pessoas querem — e precisam — do Carnaval.
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Ainda persiste, no entanto, uma narrativa equivocada de que investir em Carnaval é “gastar dinheiro público”. Os dados mostram o contrário. Estimativas do setor turístico apontam que o Carnaval movimenta bilhões de reais na economia brasileira todos os anos, com impacto direto sobre hotelaria, alimentação, transporte, comércio informal e economia criativa. Em muitas cidades, trata-se do principal evento gerador de fluxo turístico e renda do calendário anual.
Além do impacto econômico, o Carnaval é uma poderosa ferramenta de promoção do destino. As imagens da festa circulam nacional e internacionalmente, impulsionadas pelas redes sociais, pela mídia e pelos próprios visitantes. Cidades que compreendem essa dinâmica transformam o Carnaval em estratégia de posicionamento turístico, ampliando sua visibilidade muito além dos dias de folia.
Há também um benefício que raramente entra no debate orçamentário: o impacto na saúde e no bem-estar da população. A arte, a música, a dança e a ocupação dos espaços públicos promovem convivência, pertencimento e saúde mental. Em um país marcado por desigualdades sociais e por rotinas cada vez mais exaustivas, o Carnaval cumpre um papel coletivo de cuidado e expressão.
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Os desafios enfrentados pelas grandes cidades — ruas cheias, pressão sobre os serviços públicos, saneamento básico insuficiente, acesso desigual à água tratada e o agravamento das condições climáticas — também se impõem aos pequenos municípios. O aumento das temperaturas e os eventos climáticos extremos tornam o planejamento ainda mais complexo e reforçam a necessidade de políticas integradas entre turismo, cultura, saúde, meio ambiente e infraestrutura.
O debate que os municípios precisam enfrentar é menos sobre “se” devem investir no Carnaval e mais sobre “como” fazê-lo. Planejamento antecipado, inclusão social, valorização da cultura local e sustentabilidade não são custos extras, mas condições para que o Carnaval deixe de ser visto como problema e passe a ser reconhecido como política pública estratégica para o turismo e o desenvolvimento local.
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