As declarações realizadas durante a abertura da Feira Internacional de Turismo do Pantanal (FIT Pantanal 2026), em Cuiabá, geraram forte repercussão no setor turístico nacional e motivaram a mobilização de entidades, associações e empresas de diversas regiões do país.
Durante o evento, o prefeito de Cuiabá afirmou que visitantes de esquerda não seriam bem-vindos ao destino e que deveriam visitar a Venezuela. A fala provocou reações imediatas e resultou na elaboração de um manifesto público assinado por mais de 100 organizações, associações, empresas e profissionais do turismo.
Entre as entidades que lideram a iniciativa estão o MUDA! Coletivo Brasileiro de Turismo Responsável, a TOVS Associação Nacional de Turismo de Observação de Vida Silvestre, a BLTA Brazilian Luxury Travel Association, a ABRAFRO Associação Brasileira de Afroturismo, a Rede Brasileira de Trilhas, o Fórum Brasileiro de Turismo Responsável e a Sociedade Brasileira de Primatologia, além de representantes do setor em diferentes estados brasileiros.
Na carta encaminhada oficialmente à organização da FIT Pantanal e aos patrocinadores e apoiadores do evento, os signatários destacam que a manifestação não decorre de divergências político-partidárias. Segundo o documento, a preocupação está na incompatibilidade das declarações com os princípios fundamentais que sustentam a atividade turística, reconhecida mundialmente como instrumento de desenvolvimento econômico, integração social, valorização cultural, aproximação entre povos e fortalecimento da democracia.
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A mobilização traz uma reflexão importante para todos os profissionais e gestores públicos envolvidos com o turismo. Em um setor cuja essência é receber bem, promover encontros e estimular o intercâmbio cultural, discursos de exclusão acabam produzindo efeitos negativos não apenas para a imagem do destino, mas para toda a cadeia produtiva que depende da atividade turística.
Já é desafiador construir políticas públicas de turismo em um cenário que exige investimentos constantes em infraestrutura, qualificação profissional, promoção de destinos e fortalecimento da governança. Por isso, é preocupante quando espaços institucionais criados para divulgar atrativos, gerar negócios e fomentar o desenvolvimento econômico passam a ser utilizados para manifestações ideológicas que desviam o foco daquilo que realmente importa.
Os holofotes de uma feira de turismo devem estar direcionados aos destinos, aos atrativos naturais, à cultura, à gastronomia, aos empreendedores, às comunidades locais, à inovação e às oportunidades geradas pelo setor. É isso que move visitantes, investidores e profissionais.
O turismo também desempenha um papel relevante na promoção da inclusão, da diversidade e do respeito às diferenças. Ao conectar pessoas de diferentes origens, crenças e visões de mundo, contribui para reduzir preconceitos e fortalecer a convivência democrática. Nesse sentido, pode ser considerado uma importante ferramenta de transformação social e de combate às diversas formas de discriminação.
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Mais do que representar uma cidade, um estado ou uma região, o gestor público que atua na área do turismo assume a responsabilidade de representar um destino para todos. Sua função é criar condições para que visitantes sejam bem recebidos, que empreendedores encontrem um ambiente favorável aos negócios e que a população local se beneficie dos impactos positivos da atividade. Deveríamos ter mais gestores públicos conhecidos como Prefeito Amigo do Turismo que compreendem que o turismo deve ser tratado como política pública de Estado e não como instrumento de disputa ideológica. É entender que a melhor cidade para o turista é aquela que também é boa para quem vive nela.
O episódio ocorrido na FIT Pantanal certamente passará. O debate que ele provoca, porém, permanece atual e necessário. Afinal, o turismo cresce quando constrói pontes, valoriza a diversidade e amplia oportunidades. Destinos fortes são aqueles que acolhem, conectam e inspiram. Porque o turismo, em sua essência, não escolhe lados. Ele escolhe pessoas.
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