Chile por uma chiloca

Chile e Brasil: os dois lados da nossa América do Sul

Uma aproximação entre os dois países sul americanos em uma viagem pelas paisagens e experiências do país vizinho, do Deserto do Atacama à Patagônia

Chile e Brasil: os dois lados da nossa América do Sul -  (crédito: Uai Turismo)
Chile e Brasil: os dois lados da nossa América do Sul - (crédito: Uai Turismo)
Chile e Brasil: os dois lados da nossa América do Sul (Torres del Paine, uma das incríveis paisagens do Chile (Foto: arquivo Verônica Pardo))

Existe um Chile fascinante que conversa perfeitamente com a alma brasileira. Se o Brasil é a força do Atlântico, as florestas tropicais e as praias infinitas, o Chile é a imponência do Pacífico, a magia dos desertos e a grandiosidade dos Andes. Dois mundos que parecem distantes, mas que estão a apenas quatro horas de voo de distância, sem mudanças no fuso horário e na mesma estação do ano. Um destino onde a palavra espaço ganha novo significado e onde a comunicação se resolve na nossa língua mais acolhedora: o bom e velho portunhol.

O Norte Infinito: do deserto mais árido às estrelas

A viagem começa pelo imenso Norte Grande e pelo Deserto do Atacama, o mais árido do planeta. É ao sul deste deserto e fora da Região de Atacama propriamente dita que se encontra o já mundialmente famoso San Pedro de Atacama, porta de entrada para paisagens espetaculares. Mas não se engane: a aridez chilena guarda segredos transformadores. Quando as chuvas chegam ao norte, o deserto ganha vida e se transforma no impressionante Deserto Florido. Entre outubro e dezembro, mantos nas cores rosa, vermelho, amarelo e lilás cobrem a terra seca, em um espetáculo raro que ninguém deveria perder.

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Essa jornada nasce no altiplano, entre salares exuberantes e povoados cheios de história, como Belén, onde os pores do sol tingem as montanhas de tons inesquecíveis. E quando a noite cai, o Atacama revela outro de seus tesouros: as estrelas. Com mais de 300 noites limpas por ano e concentrando cerca de 40% da capacidade astronômica do planeta, o Chile é o paraíso mundial do astroturismo. Olhar para o céu do Atacama dá a sensação quase física de tocar o universo com as mãos.

A prática do astroturismo também cresce no país com baixa densidade demográfica (foto: iStock)

Seguindo para o sul, o deserto se abranda até o Vale do Elqui, o Vale das Estrelas e terra da poetisa Gabriela Mistral. É ali que as uvas cultivadas com dedicação se transformam no autêntico Pisco chileno, contando histórias de tradição em cada taça.

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O Centro: cidade, natureza e o coração do vinho chileno

Muitos brasileiros acreditam que o Chile é frio o ano todo, mas o país vive intensamente as suas quatro estações. Na primavera, Santiago é cidade e natureza em um mesmo lugar. Eleita em 2025 como a melhor capital da América Latina para se visitar, a cidade oferece uma experiência singular: a possibilidade de transitar da cordilheira ao mar em apenas uma hora e meia.

É possível acordar próximo às montanhas e estações de neve tão amadas pelos brasileiros, como Farellones, El Colorado e Valle Nevado e ainda terminar o dia na costa da Região de Valparaíso, apreciando o pôr do sol no Pacífico com um bom prato de frutos do mar frescos e um vinho chileno.

As vinícolas mais internacionalizadas estão no centro do Chile, destacando-se por castas emblemáticas como o Carménère e o Cabernet Sauvignon. São essas vinhas que abrem suas portas e permitiram ao Chile se consolidar como o primeiro país exportador de vinho da América Latina e o quarto no mundo, logo atrás de França, Itália e Espanha.

Percorrer esses vinhedos está ao alcance de todos: seja para famílias, casais, grupos de amigos ou viajantes solo. Por lá, é possível desde criar o seu próprio vinho até simplesmente degustá-lo em harmonizações perfeitas com a gastronomia típica de cada zona. A rota segue em direção ao sul, adentrando a icônica Região de O’Higgins, onde a tradição vitivinícola e a cultura do campo chileno nos recebem de braços abertos.

O Centro-Sul: vinhos patrimoniais e a neve de primavera

Avançando para o centro-sul, o mapa do vinho ganha uma profundidade surpreendente. Aqui encontramos as vinhas patrimoniais do país, cultivadas com técnicas ancestrais. Castas como a País e a Cinsault revelam a alma da agricultura profunda chilena em rótulos autênticos e cheios de identidade.

Mas a região reserva outra grande surpresa. Como a Cordilheira dos Andes acompanha todo o país, na Região de Ñuble nos deparamos com os imponentes Nevados de Chillán. Por lá, a neve se estende até o final de outubro, permitindo uma combinação perfeita: temperaturas mais amenas de primavera com a oportunidade única de ver a neve e aprender a esquiar.

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A Rota dos Rios, Lagos e Vulcões: aventura e relaxamento

O Chile é uma estreita faixa de terra com uma largura que varia entre apenas 60 km e 120 km. Essa geografia cria uma inclinação acentuada da cordilheira até o mar, originando rios com corredeiras fantásticas para descidas energizantes de kayak e passeios de bicicleta à beira-rio.

Com uma rota de cerca de 150 vulcões (metade deles ativos), o país é abençoado com águas termais naturais durante o ano todo. Em agosto celebra-se o Mês das Termas, mas esses oásis de água quente estão abertos em todas as estações. A fusão da natureza indômita e selvagem com o luxo da gastronomia chilena e seus vinhos excepcionais faz da rota dos lagos, vulcões e termas um convite irrecusável para relaxar e se reconectar.

A beleza da região de Araucanía com florestas de araucárias milenares e vulcões (Foto: divulgação Chile es Tuyo)

A Patagônia Antártica: o fim (ou começo) do mundo

No extremo sul, a jornada atinge seu ápice na Patagônia Antártica chilena, um território marcado por parques nacionais gigantescos, fiordes majestosos e geleiras milenares. É uma rota marítima onde as montanhas parecem mergulhar suavemente nas águas frias do sul do planeta.

Na ponta do continente está Punta Arenas, porta de entrada para o icônico maciço de Torres del Paine, uma joia da natureza que, em qualquer época do ano, desperta uma conexão profunda com o nosso interior. Mas a região guarda outro espetáculo ainda pouco conhecido pelos brasileiros: a observação de baleias no Estreito de Magalhães.

A partir do início de dezembro, começa a temporada em que as mães e seus filhotes navegam por essas águas mágicas, proporcionando um encontro emocionante com a vida selvagem. É o mesmo percurso histórico que permitiu cruzar do Atlântico ao Pacífico, uma rota que os navegadores abriram há séculos e que hoje os brasileiros começam a explorar com encanto. Em um único lugar, é possível ver o nascer e o pôr do sol sobre o horizonte austral, lembrando-nos de que este não é apenas o fim do mundo, é o início de uma nova forma de vivenciá-lo.

Um convite ao alcance das mãos

Viajar para o Chile, com sua tremenda diversidade, é uma experiência que pode ser aproveitada aos poucos. Com apenas um fim de semana, você já começa a percorrer o país e a abrir um universo de possibilidades. Visitar o Chile está logo ali, bem perto do Brasil, pronto para revelar um mundo inesquecível de descobertas.

Nota da editora: este texto marca a estreia de Verônica Pardo como colunista do Uai Turismo, que irá trazer histórias e dicas do Chile para os nossos leitores! Semanalmente você vai poder conferir “Chile por uma chiloca”, como ela mesma se denomina, a mistura de chilena com carioca e que irá mostrar nosso vizinho sul americano com muita profundidade e destinos que ainda não conhecemos, com o olhar que só um nativo possui.

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Uai Turismo
Veronica Pardo - Uai Turismo
postado em 09/10/2026 14:27
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