Trata-se do maior sambaqui do mundo, uma formação milenar construída por povos pré-históricos.
Essas formações são constituídas por camadas de materiais orgânicos, utensílios, conchas, ossos e até restos de alimentos.
O nome 'sambaqui' vem do Tupi Guarani e significa 'monte de conchas'.
Os sambaquis da região de Jaguaruna datam de 7 mil a 2 mil anos a.C., segundo estudos feitos com radiocarbono.
Eles revelam aspectos fundamentais da vida dos povos sambaquieiros, que já habitavam a área antes da chegada dos indígenas Guarani, Carijós, Kaingang e Xokleng.
“Não se tem estudos de como eles surgiram, o que se sabe é a partir dos achados em sítios arqueológicos”, explicou Gilson Luiz Paes, responsável pelo Museu Cidade de Jaguaruna.
Essas comunidades possuíam organização social, com divisão de atividades, e baseavam sua subsistência na caça, pesca e coleta, fabricando instrumentos de pedra e osso para esse fim.
Segundo Luiz Paes, eles se alimentavam de peixes como robalo e tainha, além de ostras, mariscos, aves e mamíferos marinhos e terrestres.
Além de local de moradia e atividade, os sambaquis eram utilizados como espaços ritualísticos e de sepultamento.
No sambaqui Jaboticabeira 2, também em Jaguaruna, pesquisas indicam que mais de 40 mil indivíduos podem ter sido enterrados ao longo de 800 anos.
Uma pesquisa feita em 2003 revelou que os rituais eram complexos, com os corpos sendo colocados em posição fetal, sendo tingidos por pigmentos vermelhos e rodeados por estacas e osso de peixes.
Jaguaruna tem 53 sítios arqueológicos identificados, sendo mais de 30 sambaquis oficialmente catalogados.
O maior deles, localizado no Balneário Garopaba do Sul, foi parcialmente destruído no passado, mas hoje é preservado com apoio da prefeitura e aberto a visitas agendadas.
Esse sambaqui tem 31 metros de altura e 300 metros de comprimento.
Um projeto intitulado “Museu no Percurso da História do Homem do Sambaqui” tem sido responsável por promover a educação patrimonial desse local histórico.
“A maior dificuldade é evitar a entrada de vândalos e conscientizar as pessoas sobre a importância de zelar por esse Patrimônio Mundial”, disse Luiz Paes.
Além da importância histórica, Jaguaruna é conhecida por suas praias de águas calmas e ideais para a família, como a Praia do Camacho e do Arroio Corrente.
Com cerca de 20 mil habitantes, a cidade tem clima agradável e forte ligação com a pesca artesanal, o que atrai turistas em busca de tranquilidade e contato com a natureza.