Registros no início de 2026 em municípios como Caraguatatuba e Ubatuba chamaram a atenção das autoridades e da população, não apenas pela frequência do fenômeno, mas também pelos riscos associados a esse tipo de peixe.
O bagre possui um ferrão ligado a uma glândula venenosa, usado como forma de defesa.
O contato com a pele humana pode provocar ferimentos dolorosos e inflamações, e já há relatos de pessoas machucadas em decorrência desse tipo de acidente na região.
Diante disso, o alerta é para que banhistas evitem tocar nos animais, mesmo quando aparentam estar mortos.
Em situações de ferimento causado pelo ferrão do bagre, a recomendação é buscar atendimento médico o mais rápido possível.
A Prefeitura de Ubatuba reforçou que unidades de saúde devem ser procuradas imediatamente para avaliação e tratamento adequados, a fim de evitar complicações.
Segundo a administração municipal de Ubatuba, o surgimento desses peixes nas praias não é considerado habitual. Entre as possíveis explicações está o aumento da temperatura da água do mar, que pode gerar estresse térmico nos animais e, em alguns casos, levá-los à morte, fazendo com que acabem encalhados na areia ou muito próximos da costa.
Já a Prefeitura de Caraguatatuba aponta outros fatores que também podem estar relacionados ao fenômeno, como a redução do oxigênio disponível na água, a presença de substâncias tóxicas e o descarte de peixes provenientes de capturas acidentais.
O peixe bagre é um nome popular usado para designar diversas espécies de peixes pertencentes principalmente à ordem Siluriformes, encontradas tanto em água doce quanto em ambientes marinhos.
Bastante conhecidos no Brasil, os bagres chamam atenção por suas características físicas peculiares, pelo comportamento adaptável e também pelos cuidados que exigem no contato com seres humanos.
Uma das marcas mais evidentes do peixe bagre são os longos “bigodes”, os barbilhões, localizados ao redor da boca. Esses apêndices sensoriais funcionam como radares naturais, ajudando o animal a identificar alimentos, obstáculos e variações do ambiente, especialmente em águas turvas ou com pouca visibilidade.
Outra característica importante da espécie é a presença de ferrões rígidos nas nadadeiras peitorais e, em algumas espécies, também na dorsal. Eles fazem parte do mecanismo de defesa do peixe e estão associados a glândulas que liberam toxinas.
Embora o veneno raramente seja fatal, o contato pode causar dor intensa, inchaço, inflamação e, em casos mais graves, infecções secundárias. Por isso, recomenda-se nunca tocar em um bagre com as mãos desprotegidas, mesmo quando ele parece estar morto.
Os bagres apresentam uma dieta bastante variada. Alimentam-se de pequenos peixes, crustáceos, moluscos, insetos e restos orgânicos, o que faz com que desempenhem um papel importante no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos. Essa capacidade de adaptação alimentar contribui para sua ampla distribuição geográfica.
No Brasil, há espécies de bagres típicas de água doce, comuns em rios e represas, e outras adaptadas ao ambiente marinho, frequentemente encontradas em regiões costeiras e estuários. Algumas espécies realizam deslocamentos em busca de alimento ou melhores condições ambientais, o que pode explicar aparições em locais incomuns, como praias rasas ou faixas de areia.
Uma curiosidade interessante é que muitos bagres possuem hábitos predominantemente noturnos. Durante o dia, tendem a permanecer escondidos no fundo ou entre estruturas naturais, saindo à noite para se alimentar.
Em algumas regiões do país, determinadas espécies também são utilizadas na alimentação humana, sendo apreciadas na culinária regional, desde que manipuladas com cuidado antes do preparo.