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Chet Baker: glória e tragédia do músico sublime que teve morte misteriosa


Há 96 anos, no dia 23 de dezembro de 1929, nascia em Yale, no estado americano de Oklahoma, Chesney Henry Baker Jr., que o mundo da música conheceria como Chet Baker.

Por Flipar
Reprodução do Facebook Chet Baker

Dono de um talento precoce e de uma sensibilidade rara, ele se tornaria um dos trompetistas mais emblemáticos do jazz do século 20.

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Ele também foi um vocalista de timbre frágil e melancólico, cuja voz ajudou a definir o clima introspectivo do chamado cool jazz.

Reprodução do Facebook Chet Baker

Sua trajetória artística, marcada por enorme reconhecimento e por uma vida pessoal turbulenta, permanece como uma das mais fascinantes e trágicas da história da música.

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Filho de um guitarrista que tocava em bandas country e western, Baker teve contato com a música ainda na infância. Começou a estudar trombone, mas logo migrou para o trompete, instrumento que o acompanharia por toda a vida.

Reprodução do Facebook Chet Baker

Após servir ao Exército dos Estados Unidos no final dos anos 1940, estabeleceu-se na Califórnia, onde passou a circular pela vibrante cena jazzística da Costa Oeste.

Chet Baker - Grandes vozes do jazz. - Flickr Jazz Voyeur

Foi nesse contexto que seu talento chamou a atenção do saxofonista Charlie Parker (foto) e, pouco depois, de Gerry Mulligan, com quem formaria um quarteto histórico no início dos anos 1950.

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A parceria com Mulligan foi decisiva para projetar Chet Baker internacionalmente. O quarteto, que dispensava o piano e valorizava o diálogo entre os instrumentos, tornou-se um dos símbolos do cool jazz, movimento que se contrapunha à intensidade do bebop com uma abordagem mais contida, lírica e sofisticada.

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O trompete de Baker, de som límpido e fraseado elegante, rapidamente se destacou, rendendo-lhe fama e uma legião de admiradores. Ainda jovem, ele já figurava em capas de revistas e era tratado como uma estrela do jazz.

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Paralelamente à carreira como instrumentista, Baker revelou-se um cantor singular. Sua voz suave, quase sussurrada, transmitia uma vulnerabilidade que dialogava perfeitamente com baladas românticas e temas melancólicos.

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Álbuns como “Chet Baker Sings” ajudaram a consolidar essa faceta e transformaram interpretações de canções como “My Funny Valentine” em versões definitivas.

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O contraste entre sua aparência de galã e a delicadeza emocional de suas performances vocais contribuiu para o mito que se formava em torno de sua figura.

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No entanto, a mesma intensidade que marcava sua arte também se refletia em sua vida pessoal. A partir dos anos 1950, Chet Baker mergulhou profundamente no uso de drogas, o que afetou sua carreira e sua saúde de forma dramática.

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Prisões, problemas legais e períodos de afastamento dos palcos tornaram-se recorrentes. Na década de 1960, chegou a perder dentes em circunstâncias controversas, o que comprometeu seriamente sua técnica no trompete e exigiu um doloroso processo de reaprendizado do instrumento.

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Apesar das dificuldades, Baker demonstrou uma capacidade notável de retorno. A partir dos anos 1970, encontrou na Europa um ambiente mais receptivo e passou a se apresentar com frequência em países como Itália, França, Alemanha e Holanda.

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Seus discos desse período revelam um músico amadurecido, cuja fragilidade pessoal se convertia em profundidade emocional. O som tornou-se mais áspero, menos virtuoso, mas carregado de uma verdade que muitos consideram ainda mais tocante.

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Chet Baker morreu em 13 de maio de 1988, aos 58 anos, após cair da janela de um hotel em Amsterdã, em circunstâncias que permanecem envoltas em mistério.

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Sua morte encerrou uma vida marcada por extremos, mas não apagou o impacto duradouro de sua obra. Décadas depois, seu trompete e sua voz continuam a ecoar como símbolos de um jazz íntimo, melancólico e profundamente humano.

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