Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos, fez fortes críticas às recentes ações de agentes do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega, que resultaram em mortes de cidadãos americanos na cidade de Minneapolis, no estado de Minnesota.
Por FliparEm mensagem publicada no seu perfil no X (ex-Twitter), Clinton qualificou os episódios como inaceitáveis e apontou falhas na atuação das autoridades federais comandadas pelo atual presidente, Donald Trump.
No texto, Clinton afirmou que “as pessoas no comando mentiram para nós”, criticando a forma como as ações foram explicadas e a resposta dada às imagens divulgadas por testemunhas. Ele também acusou as lideranças federais de adotar táticas cada vez mais agressivas, além de dificultar investigações conduzidas por autoridades locais.
O pronunciamento de Clinton aconteceu no mesmo dia em que o presidente Donald Trump acusou dirigentes democratas de cidades e estados de serem responsáveis pela violência e pelas mortes registradas durante confrontos entre manifestantes, civis e agentes federais.
As críticas de Clinton fazem parte de uma reação mais ampla de líderes políticos. O ex-presidente Barack Obama e sua esposa Michelle classificando os episódios como uma “trágica chamada de atenção” para a nação e denunciando as táticas empregadas pelos agentes do Departamento de Segurança Interna (DHS), que supervisiona as operações do ICE.
Os dois casos que motivaram as reações foram as ações que resultaram na morte de Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos de Minneapolis, e de Renee Good, também cidadã americana de 37 anos, ocorridos com diferença de semanas entre si durante operações do ICE na mesma cidade.
Nascido em 19 de agosto de 1946, em Hope, no estado do Arkansas, William Jefferson Clinton, conhecido como Bill Clinton, é uma das figuras mais marcantes da política norte-americana das últimas décadas.
Ele desenvolveu ainda jovem interesse por política e vida pública, influenciado pelo contexto social do sul dos EUA e por figuras como o presidente John F. Kennedy (foto), que o inspirou a seguir a carreira pública.
Durante o curso de Direito em Yale, uma das mais prestigiadas instituições do país, conheceu Hillary Rodham, que se tornaria sua esposa e também uma personalidade influente na política americana.
A entrada de Bill Clinton na política se deu no Arkansas, onde foi eleito procurador-geral do estado em 1976 e, dois anos depois, governador, tornando-se um dos mais jovens a ocupar o cargo.
Após derrota na disputa pela reeleição, ele retornou ao governo estadual em 1982 e permaneceu no posto por mais uma década, implementando reformas voltadas à educação, à modernização administrativa e ao crescimento econômico.
Esse perÃodo consolidou sua imagem como um democrata pragmático, capaz de dialogar com diferentes correntes polÃticas e defender uma agenda de centro, o que mais tarde seria conhecido como a â??Terceira Viaâ?.
Em 1992, Bill Clinton foi eleito presidente dos Estados Unidos, derrotando o então presidente George H. W. Bush. Aos 46 anos, tornou-se um dos presidentes mais jovens da história do país.
Durante seus dois mandatos, Clinton sancionou medidas como o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), a reforma do sistema de bem-estar social e políticas de equilíbrio fiscal que resultaram em superávits orçamentários no final da década de 1990.
A política externa também foi um dos pilares de sua administração. Clinton atuou na ampliação da Otan, apoiou acordos de paz no Oriente Médio, como os Acordos de Oslo, e liderou intervenções internacionais nos Bálcãs, buscando encerrar conflitos que marcaram a Europa pós-Guerra Fria.
Apesar dos êxitos econômicos e diplomáticos, a presidência de Clinton foi profundamente marcada por escândalos políticos e pessoais, culminando no processo de impeachment em 1998, após acusações de perjúrio e obstrução de justiça relacionadas ao caso envolvendo a estagiária Monica Lewinsky.
Embora tenha sido absolvido pelo Senado e permanecido no cargo até o fim do mandato, o episódio deixou marcas duradouras em sua imagem pública e aprofundou a polarização política nos Estados Unidos, antecipando um cenário que se tornaria ainda mais intenso nos anos seguintes.
Após deixar a Casa Branca, Bill Clinton manteve uma presença ativa na vida pública. Fundou a Fundação Clinton, organização dedicada a temas como saúde global, combate à pobreza, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável, e passou a atuar como mediador em conflitos internacionais e como palestrante em fóruns globais.
Ele também desempenhou papel importante nas campanhas políticas de Hillary Clinton, tanto em sua candidatura ao Senado quanto em suas disputas pela presidência, em 2008 e 2016, consolidando sua influência dentro do Partido Democrata.