O estudante Leandro Pinheiro, de 25 anos, ganhou repercussão ao devolver um pix de R$ 200 mil que recebeu por engano em Goiânia. Ele afirmou que a honestidade é um “legado de família”, aprendido com os pais, especialmente com o pai, já falecido.
Por FliparCriado na zona rural e de origem humilde, Leandro contou que a família sobrevivia de trabalhos simples e que os valores morais são prioridade. Ao perceber o depósito, após contato do empresário que cometeu o erro, o jovem devolveu a quantia.
Com a situação resolvida, a mãe dele ficou aliviada, e Leandro disse acreditar que o pai ficaria orgulhoso. O empresário agradeceu a atitude e ofereceu uma compensação financeira em R$ 1 mil. As informações são do “g1”.
Com a expansão do pix, aliás, cada vez mais pessoas fazem pagamentos e transferências usando o sistema instantâneo criado em 2020 no Brasil.
E, como se sabe, o dinheiro sai na hora da conta. Mas o que fazer se houver, como ocorreu com Leandro, uma transferência errada? Saiba que, pela lei, o certo é devolver.
Um caso ocorrido no fim de 2023 ficou na lembrança. O empresário Lealdo dos Santos Souza, morador de Santos, no litoral paulista, recebeu nada menos que R$ 690 mil por engano. O FLIPAR mostrou na época.
Ele disse que, ao ver aquela dinheirama, achou que fosse algum golpe, dinheiro sujo que havia parado por engano em sua conta.
Ele foi até a agência do banco de origem da quantia para dar prosseguimento à devolução.
Lealdo descobriu que a quantia, na verdade, era de uma pessoa que estava comprando um apartamento. Ele, então, teve que parcelar a transferência do dinheiro por um problema no banco.
Mesmo ouvindo “conselhos” de outras pessoas para ficar com a bolada, ele não fez isso. “Só que minha cabeça e meu coração falaram que tinha que fazer a coisa certa. Eu não pensei duas vezes em devolver”, afirmou ao G1 na época.
“Não dá para ficar com o que não é nosso. Sei que passamos por momentos difÃceis, mas temos que fazer a coisa certaâ?, afirmou.
Um dia após receber o pix, Lealdo encontrou o dono da quantia, depois que o gerente do banco entrou em contato com o correntista.
“Fiquei mais feliz depois que eu consegui achar (o dono). Vi que era um senhor, uma pessoa de boa índole que trabalhou pra caramba. Bancário, estava comprando um apartamento ”, afirmou.
O dono era o ex-presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região, Ricardo Saraiva Big, que fez o pix de R$ 690 mil por engano. Ele afirmou ao “g1” que ficou ‘apavorado’ com o erro, achando que poderia ter perdido o dinheiro para sempre.
Segundo o Banco Central, é possível cancelar a transação apenas antes da confirmação do pagamento. Depois de confirmar, a liquidação do pix ocorre em tempo real, o que impossibilita o cancelamento.
Segundo a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), quem recebeu um pix por engano tem que entrar em contato com o destinatário para devolução do valor. No caso, o primeiro passo é ir ao banco.
O Código Civil Brasileiro estabelece que ninguém pode se enriquecer ilicitamente às custas de outra pessoa (art. 876). Se você recebe um valor indevido, tem a obrigação legal de devolvê-lo.
Se a devolução não ocorrer espontaneamente, quem enviou pode entrar com ação judicial para reaver o valor. Em alguns casos, cabe até registrar um boletim de ocorrência por apropriação indébita.