O ator Fulvio Stefanini segue a celebração de sete décadas dedicadas às artes cênicas com a retomada do espetáculo “O Pai” no Teatro TotalEnergies, localizado no bairro da Glória, no Rio de Janeiro.
Por FliparA montagem brasileira volta ao palco a partir do dia 27 de fevereiro de 2026 e integra as comemorações pelas sete décadas de carreira do artista, marco alcançado em 2025.
Com direção de Léo Stefanini, filho de Fulvio, a peça permanece em cartaz até 22 de março. Ela já rendeu ao protagonista o Prêmio Shell de melhor ator, além das conquistas nas categorias de melhor cenografia e espetáculo do ano.
Com uma abordagem delicada e emocional, o espetáculo propõe reflexões sobre o processo de envelhecimento, os desafios do cuidado com idosos e a importância dos laços afetivos.
O texto, assinado pelo dramaturgo francês Florian Zeller, já foi encenado em mais de 30 países e conquistou reconhecimento internacional. A obra também ganhou uma versão cinematográfica chamada “Meu Pai”, em 2020, adaptada pelo próprio autor, com Anthony Hopkins no papel principal. O filme recebeu o Oscar de melhor ator e melhor roteiro adaptado.
Desde sua estreia no Brasil, em 2016, “O Pai” consolidou-se como um grande sucesso de público e crítica, somando cerca de 200 apresentações e mais de 80 mil espectadores.
Fulvio Stefanini nasceu em 12 de outubro de 1939 em São Paulo. Filho de pais italianos, ele começou sua carreira artística muito jovem, aos 15 anos, aceitando trabalhos como figurante na extinta TV Tupi, numa época em que a televisão brasileira ainda dava seus primeiros passos.
Com uma carreira sólida na televisão, ele se destacou em dezenas de novelas ao longo dos anos, como “Cavalo Amarelo”, “Gabriela”, “Estrela de Fogo”, “Pátria Minha”, “Suave Veneno”, “Chocolate com Pimenta”, “Alma Gêmea”, “Pé na Jaca”, “Caras e Bocas” e “Amor à Vida”.
Um dos papéis marcantes de sua carreira televisiva foi o de Tonico Bastos na novela “Gabriela”, exibida em 1975 pela TV Globo. A interpretação chamou a atenção do público e da crítica, rendendo elogios do próprio escritor Jorge Amado, autor do livro que inspirou a produção.
Outro personagem que ficou na memória dos telespectadores foi o prefeito Vivaldo, vivido por Stefanini em “Chocolate com Pimenta” (2003). Na trama, escrita por Walcyr Carrasco, o prefeito se tornou conhecido por seu comportamento bem-humorado e pelas situações cômicas em que se envolvia.
Ainda em parceria com Carrasco, Stefanini interpretou Osvaldo na novela “Alma Gêmea” (2005), um comerciante envolto em situações inusitadas. Por esse papel, ele recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA).
O reconhecimento de Stefanini vai além das novelas. No teatro, ele consolidou um prestígio de grande intérprete em montagens clássicas e contemporâneas.
Atuou em dezenas de peças e foi agraciado por sua performance em produções como “Caixa Dois”, que lhe rendeu o Prêmio Shell de melhor ator de teatro.
Mais recentemente, a montagem de “O Pai”, dirigida por seu filho Léo Stefanini, que também lhe trouxe o mesmo prêmio em outra edição do prestigiado troféu.
No cinema, Stefanini também deixou sua marca, participando de uma série de filmes ao longo da carreira. Seu nome aparece em produções como â??Absolutamente Certoâ? (1957), â??Quincas Borbaâ? (1987), â??Cabeça a Prêmioâ? (2009), â??Cilada.comâ? (2011) e â??Nelson Ninguémâ? (2013), entre outros tÃtulos que refletem a amplitude de seu trabalho nas telas.
Além de seu trabalho artístico, Stefanini também é reconhecido por sua longevidade profissional, participando de peças e mantendo diálogo com públicos variados.
Em entrevistas, ele já comentou sobre a escassez de papéis para atores mais velhos e refletiu sobre as transformações da teledramaturgia ao longo das décadas, destacando a importância do teatro como espaço de atuação contÃnua.
Ao longo de sua vida, Fulvio Stefanini equilibrou sua carreira com a vida pessoal, sendo casado com Vera Stefanini desde 1968. O casal tem dois filhos, entre eles o também diretor Léo Stefanini, com quem colaborou em projetos teatrais recentes.
Sua trajetória representa não apenas o percurso de um artista dedicado, mas também a história da televisão e do teatro brasileiros, marcada por transformações e por uma constante busca por papéis que expressem a complexidade das personagens e das relações humanas.