Depois de um intervalo de sete anos de seu último trabalho, o lendário diretor Brian De Palma prepara um novo longa-metragem.
Por FliparO cineasta norte-americano está à frente de “Sweet Vengeance” (“Doce Vingança”, em tradução livre), um thriller que tem filmagens previstas para acontecer em Portugal ainda em 2026. A informação foi revelada pelo site “The Film Stage”.
A produção fica a cargo da RT Features, empresa do brasileiro Rodrigo Teixeira. O projeto começou a ganhar forma em 2018. Na época, De Palma deixou claro que a narrativa seria baseada em dois casos reais de assassinato, explorando a estética e a estrutura do gênero true crime.
Em um primeiro momento, o ator Wagner Moura chegou a ser anunciado como protagonista do longa, mas o brasileiro acabou deixando o projeto. A expectativa é que “Sweet Vengeance” chegue ao circuito comercial em 2027.
A direção de fotografia será de Pedro Sotero, parceiro frequente de Kleber Mendonça Filho e responsável pela estética de Bacurau e Aquarius. O figurino é de Cláudia Kopke, que trabalhou em Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025.
Brian De Palma nasceu em 11 de setembro de 1940, em Newark, no estado de Nova Jersey, e construiu uma trajetória marcante no cinema norte-americano a partir da virada dos anos 1960 para os 1970.
Sua estreia no cinema aconteceu no circuito independente, com comédias satíricas e filmes de baixo orçamento que já demonstravam inquietação estética e influência direta do cinema europeu, especialmente da obra do britânico Alfred Hitchcock.
Aos poucos, De Palma passou a ganhar espaço na indústria cinematográfica, consolidando-se como um dos nomes associados à chamada Nova Hollywood, movimento que renovou o cinema americano nos anos 1970 ao abrir espaço para diretores autorais dentro do sistema dos grandes estúdios.
O reconhecimento mais amplo veio com o sucesso de “Carrie, a Estranha” (1976), adaptação do romance de Stephen King que se tornou um marco do terror psicológico e revelou a habilidade do diretor em construir tensão por meio da chamada mise-en-scène, do uso expressivo da câmera e da montagem.
A partir daí, De Palma alternou projetos autorais com produções de maior orçamento, transitando entre gêneros como suspense, crime, terror e ação, sempre imprimindo um estilo visual facilmente identificável.
Ao longo das décadas seguintes, assinou filmes que se tornaram referências, como “Vestida para Matar”, “Dublê de Corpo”, “Scarface”, “Os Intocáveis” e “Um Tiro na Noite”.
Nessas obras, consolidou recursos narrativos e visuais que se tornariam sua assinatura, como o uso de longos planos-sequência, telas divididas, movimentos de câmera elaborados e sequências quase silenciosas, nas quais a imagem assume papel central na construção do suspense.
“Scarface” (1983) ocupa um lugar central na trajetória de Brian De Palma. Releitura do longa dos anos 1930, de Howard Hawks, a obra acompanha a ascensão e queda do imigrante cubano Tony Montana, vivido por Al Pacino, em um retrato excessivo e brutal do sonho americano corrompido pelo poder e pela ambição.
Já “Os Intocáveis” (1987) consolidou Brian De Palma como um diretor capaz de aliar rigor autoral a uma narrativa clássica de grande apelo popular. Ambientado na Chicago da Lei Seca, o filme dramatiza o confronto entre o agente Eliot Ness, interpretado por Kevin Costner, e o mafioso Al Capone, vivido por Robert De Niro.
Apesar do prestígio artístico, a carreira de De Palma também foi marcada por recepções críticas controversas e por conflitos com o sistema hollywoodiano. Alguns de seus trabalhos foram inicialmente rejeitados ou mal recebidos, apenas para serem reavaliados e cultuados anos depois.
Nos anos 2000, o diretor continuou ativo, dirigindo filmes de gêneros variados, como o primeiro “Missão: Impossível”, com Tom Cruise, que demonstrou sua capacidade de trabalhar dentro do cinema de ação contemporâneo, e projetos mais pessoais, como “Dália Negra” e “Guerra sem Cortes”.
O trabalho mais recente de Brian De Palma no cinema foi “Domino” (2019), um thriller policial que marcou seu retorno após um período de quase uma década sem lançar um longa-metragem.
Filmado em diferentes países europeus, o projeto enfrentou dificuldades de produção e interferências externas que afetaram o resultado final, algo que o próprio diretor reconheceu publicamente.
Brian De Palma foi casado três vezes, incluindo um relacionamento com a atriz Nancy Allen, protagonista de alguns de seus filmes mais conhecidos. Ele tem duas filhas, Piper De Palma e Lolita De Palma.