Artes

Do Pará ao Sambódromo da Sapucaí: o brilho icônico de Milton Cunha


Milton Cunha é uma das figuras mais emblemáticas do carnaval, com trajetória que reúne arte e comunicação. Ao longo dos anos, se consolidou como carnavalesco, cenógrafo, psicólogo, professor e comentarista. Sua vida profissional e pessoal se entrelaçam, revelando paixão pela cultura popular e valorização da criatividade.

Por Flipar
Instagram @miltoncunhaoficial

Nascido em Belém, no estado do Pará, em 19/03/1962, Milton Reis da Cunha Júnior passou parte de sua infância na Ilha de Marajó, onde absorveu intensamente a cultura amazônica. A vivência cercada por tradições populares e a exuberância da região marcou profundamente sua sensibilidade artística.

 

Mais tarde, já adulto, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou sua trajetória como ator e diretor, antes de mergulhar definitivamente no universo do carnaval. Suas raízes paraenses se tornaram a base de sua identidade cultural e influenciaram diretamente sua forma de pensar e criar.

 

Reprodução twitter @MiltonCunha

Graduado em Psicologia na UFRJ, Milton construiu uma base sólida para compreender o comportamento humano, o que mais tarde influenciaria sua visão artística. Além disso, buscou especializações que ampliaram sua capacidade de análise crítica, permitindo que unisse ciência e arte em sua atuação.

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Sua entrada no universo carnavalesco ocorreu de maneira intensa, já que desde cedo demonstrava fascínio pela estética das escolas de samba. Com o tempo, passou a colaborar em projetos criativos, desenvolvendo cenários que refletiam sua sensibilidade. E o carnaval se transformou em profissão e identidade cultural.

Divulgação

Milton Cunha assinou enredos memoráveis, sempre com uma abordagem inovadora e estética refinada. Ao buscar unir elementos históricos, sociais e artísticos, criou desfiles que iam além da beleza visual, transformando o sambódromo em um palco de reflexão e emoção.

Reprodução de facebook Tantos Carnavais

A cenografia foi outro campo em que ele se destacou, pois sua habilidade em criar ambientes grandiosos e simbólicos encantou plateias. Ao utilizar recursos visuais para potencializar narrativas como cenógrafo, conectou o público à história contada.

Divulgação

Como psicólogo, Milton Cunha trouxe para o carnaval uma visão diferenciada sobre o impacto emocional das festas populares. Ele analisava como o espetáculo influenciava a identidade coletiva e a autoestima das comunidades.

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Também desfilou relevância intelectual como professor universitário. Afinal, dedicou-se a transmitir conhecimento técnico e prática em aulas que incentivavam criatividade e pensamento crítico. Formou, portanto, gerações que aprenderam a ver o carnaval como campo de estudo e expressão artística.

Reprodução twitter @MiltonCunha

Na televisão, Milton Cunha se tornou comentarista carismático, conhecido por análises profundas e linguagem poética. Ao traduzir o espetáculo para o público, destacou detalhes que muitas vezes passavam despercebidos. Assim, a presença na mídia consolidou sua imagem como referência no carnaval.

 

Reprodução do Instagram @miltoncunhaoficial

Reconhecido por seu estilo comunicativo vibrante, sempre marcado por metáforas e entusiasmo contagiante, ele consegue transformar a análise técnica em narrativa envolvente, aproximando o público da arte carnavalesca. Sua fala tornou-se parte do espetáculo.

Flickr Hugo Lira / Secec

Além de atuar diretamente no carnaval, Milton Cunha promoveu debates e reflexões sobre cultura popular, defendendo o valor das manifestações artísticas como expressão da identidade brasileira. Sua contribuição, desse modo, ultrapassa os limites do sambódromo.

Instagram @miltoncunhaoficial

Na vida pessoal, ele é conhecido pela generosidade e a forma afetuosa com que se relaciona. Valoriza amizades e mantém vínculos fortes com comunidades do samba em uma trajetória que reflete o mesmo brilho que sua carreira profissional.

Reprodução do Instagram @miltoncunhaoficial

Admirado tanto por artistas quanto por espectadores, Milton Cunha recebeu prêmios que celebraram sua dedicação ao carnaval. Entre eles, a Medalha Pedro Ernesto, a maior honraria da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em reconhecimento à sua trajetória “apoteótica” no Carnaval.

Ao acreditar que o carnaval é uma metáfora da vida por unir alegria, superação e coletividade, ele defende que a arte deve ser acessível e transformadora, capaz de tocar o coração das pessoas. Assim, sua filosofia inspira novas gerações.

Instagram @miltoncunhaoficial

Milton tem ligação profunda com as escolas de samba, visto que sempre reforçou o protagonismo popular ao valorizar o trabalho das comunidades. Seu entendimento é o de que cada desfile é fruto de esforço coletivo e merecedor de reconhecimento.

Instagram @cidadedosamba

Também dedicou-se à produção de textos e artigos, nos quais analisa o carnaval sob diferentes perspectivas. Ele aborda desde aspectos históricos até reflexões psicológicas, ampliando o entendimento sobre o tema. Dessa forma, sua obra escrita complementa sua atuação prática.

Reprodução do de vídeo TV Globo

O legado de Milton Cunha é marcado pela inovação e paixão pelo carnaval. Ao contribuir para transformar a forma de pensar e vivenciar o espetáculo, torna-se referência para futuros carnavalescos e estudiosos. Assim, sua vida profissional e pessoal se fundem em um exemplo de dedicação e amor pela arte popular.

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