O Imperator – Centro Cultural João Nogueira -, no Rio de Janeiro, será palco de duas apresentações da peça “O Formigueiro”. As apresentações estão marcadas para os dias 28 e 29 de março, às 19h. A montagem foi indicada em duas categorias do Prêmio APTR de Teatro 2026.
Por FliparO Imperator – Centro Cultural João Nogueira – é um importante espaço cultural localizado no bairro do Méier, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Inaugurado em sua atual configuração em 12 de junho de 2012, o centro cultural surgiu após um amplo processo de revitalização da antiga casa de espetáculos Imperator, que havia encerrado suas atividades nos anos 1990.
O espaço recebeu esse nome em homenagem ao sambista e compositor João Nogueira (1941 – 2000), figura central da cultura popular carioca e morador histórico da região.
Antes de se tornar um centro cultural, o endereço teve grande relevância como sala de cinema. Inaugurado em 1954, o Cine Imperator chegou a ser considerado a maior sala de exibição da América Latina, com capacidade para 2.400 espectadores.
Ao longo das décadas de 1960 e 1970, o cinema viveu seu período mais intenso, acompanhando a efervescência cultural da cidade. A exibição de chanchadas, filmes populares brasileiros e grandes produções estrangeiras consolidou o Imperator como um símbolo de lazer e convivência.
A partir dos anos 1980, com a expansão dos shopping centers e dos complexos de cinema multiplex, o Cine Imperator começou a perder público. A queda na frequência provocou dificuldades financeiras, levando ao encerramento das atividades em 1986.
O fechamento marcou o fim de uma era para o bairro, que viu desaparecer um de seus principais polos culturais.
Em 1991, o espaço foi reaberto como casa de espetáculos, mantendo o nome Imperator. A nova fase trouxe uma programação voltada principalmente para shows musicais, recebendo artistas nacionais e internacionais de grande projeção, como Tina Turner, Bob Dylan, Caetano Veloso, Tom Jobim e Tim Maia.
Essa etapa, no entanto, foi marcada por instabilidade financeira. Após um novo fechamento em meados da década de 1990, o espaço chegou a ser reaberto para apresentações pontuais, como um show de Roberto Carlos, que teve ingressos rapidamente esgotados.
Apesar do sucesso momentâneo, os problemas econômicos persistiram. A casa passou a abrigar eventos alternativos, como bailes e matinês, mas não conseguiu manter uma programação regular e sustentável, encerrando novamente suas atividades.
Em 2002, o governo estadual determinou a desapropriação do imóvel, com a promessa de transformá-lo em um centro cultural multifuncional. Projetos foram anunciados ao longo dos anos seguintes, incluindo propostas voltadas para o samba, o cinema, a formação artística e atividades educacionais.
Somente a partir de 2011, as obras de requalificação foram efetivamente iniciadas, após a cessão do terreno ao município. A escolha do nome Centro Cultural João Nogueira reforçou o vínculo do espaço com a história musical do Méier e com a tradição do samba carioca.
A reinauguração ocorreu em junho de 2012, com um show de Diogo Nogueira, filho do homenageado. A partir desse momento, o Imperator passou a funcionar como um centro cultural público, oferecendo uma programação diversificada e contínua.
Em pouco tempo, consolidou-se como um dos principais polos culturais da cidade, especialmente na Zona Norte, alcançando a marca de cerca de um milhão de visitantes em pouco mais de um ano.
Atualmente, o espaço abriga um teatro com capacidade para centenas de pessoas, três salas de cinema conhecidas como Cine Carioca Méier, salas de exposição, áreas para convivência, bistrô e um terraço verde.
Essa estrutura permite a realização de espetáculos teatrais, shows, concertos, sessões de cinema, exposições e eventos educativos, atendendo a diferentes públicos e faixas etárias.
Além da programação artística, o Imperator também se destaca por suas ações de formação cultural. Projetos como “Outra Cena” ampliaram a atuação do espaço para além das apresentações, promovendo cursos, oficinas, debates e palestras voltadas ao pensamento crítico e à formação de novos artistas.
Ao longo de sua trajetória, o Imperator passou por diferentes fases, refletindo as transformações urbanas, culturais e econômicas do Rio de Janeiro. Hoje ele representa não apenas um local de entretenimento, mas também um símbolo da valorização da cultura na Zona Norte e da preservação da memória cultural do Méier.