No fim da década de 1960, impulsionada por subsídios governamentais para projetos experimentais, a Holanda viveu um período de grande liberdade criativa na arquitetura habitacional.
Por FliparEntre as criações mais exóticas desse período está o Bolwoningen, um conjunto residencial localizado em Den Bosch que se assemelha a um agrupamento de bolas de golfe gigantes.
Idealizado pelo designer e escultor Dries Kreijkamp, o projeto propunha uma forma de morar orgânica e eficiente, diferente das casas tradicionais de tijolos da região.
O projeto nunca se transformou em um modelo dominante de habitação, mas também não foi abandonado.
A proposta surgiu em 1968, quando a Holanda destinou recursos públicos para moradias experimentais de baixo custo.
A época favorecia esse tipo de ousadia, como mostram outros projetos semelhantes desenvolvidos nos anos seguintes, como o complexo Kasbah em Hengelo.
A montagem do complexo de 50 unidades só ocorreu nos anos 1980, após diversos ajustes estruturais e burocráticos que modificaram o conceito inicial.
Antes de chegar à versão definitiva, Kreijkamp testou o conceito em Vlijmen, onde construiu protótipos sem a base cilíndrica atual.
A base cilíndrica passou a ser obrigatória e o material planejado — inicialmente poliéster — foi substituído por concreto armado com reforço de fibra de vidro e isolamento térmico.
Cada unidade tem cerca de 5,5 metros de diâmetro e aproximadamente 55 metros quadrados de área interna.
A base abriga a entrada e áreas de serviço, enquanto o interior da esfera é dividido em níveis que maximizam a luz natural através de 11 janelas redondas.
As unidades funcionam como microcasas ideais para uma ou duas pessoas.
O layout é integrado, utilizando escadas em espiral para conectar o quarto, o banheiro e a sala de estar.
Kreijkamp defendia a esfera como uma forma eficiente, por oferecer grande volume interno com menor área de superfície, reduzindo o uso de materiais e a necessidade de manutenção.
As paredes curvas impõem desafios à decoração, exigindo móveis adaptados.
O conjunto enfrentou problemas estruturais e ameaças de demolição nos anos 1990, mas sobreviveu graças a restaurações e ao interesse turístico que desperta até hoje.
Atualmente, o Bolwoningen permanece como um protótipo de uma fase experimental da arquitetura holandesa e continua despertando interesse justamente por esse caráter único.