Em 27 de fevereiro de 2026, a República Dominicana celebra os 182 anos de sua independência, proclamada em 1844, um marco fundamental na formação do país que hoje ocupa dois terços da ilha de Hispaniola, no Caribe, dividindo o território com o Haiti.
Por FliparA data é uma das mais importantes do calendário dominicano e costuma ser celebrada com desfiles cívico-militares, eventos culturais e manifestações patrióticas, sobretudo na capital, Santo Domingo.
O processo de independência esteve ligado à resistência contra o domínio haitiano, que havia começado em 1822. O movimento, conhecido como La Trinitaria, articulou a separação e lançou as bases da nova república.
A história dominicana, no entanto, remonta a um período bem anterior ao século 19. A ilha de Hispaniola foi o local do primeiro assentamento europeu permanente nas Américas, estabelecido por Cristóvão Colombo em 1492.
Santo Domingo, fundada oficialmente em 1496 por Bartolomeu Colombo, é considerada a cidade europeia mais antiga das Américas ainda habitada continuamente.
Seu centro histórico, a chamada Zona Colonial, foi declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO e abriga construções emblemáticas como a Catedral Primada da América, o Alcázar de Colón e a Fortaleza Ozama, testemunhos de um período em que a ilha era peça central no império espanhol no Novo Mundo.
Ao longo dos séculos, a República Dominicana enfrentou ocupações estrangeiras, conflitos internos e períodos de instabilidade política. Entre 1930 e 1961, o país viveu sob a ditadura de Rafael Trujillo, um dos regimes mais longos e repressivos da América Latina.
A redemocratização foi gradual e, nas últimas décadas, a nação consolidou instituições e experimentou crescimento econômico significativo, impulsionado sobretudo pelo turismo, pelas zonas francas industriais e pelas remessas enviadas por dominicanos que vivem no exterior.
Culturalmente, a República Dominicana é reconhecida como berço do merengue, ritmo que se tornou símbolo nacional e foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. A bachata, outro gênero musical de forte identidade popular, também ganhou projeção internacional nas últimas décadas.
A culinária mistura influências indígenas, africanas e europeias, com pratos como o “mangú”, preparado à base de banana-da-terra amassada, e o “sancocho”, um ensopado robusto de carnes e tubérculos.
No campo turístico, o país é um dos destinos mais procurados do Caribe. Punta Cana, na região leste, tornou-se sinônimo de praias de águas cristalinas.
Já Puerto Plata, localizado no norte do país, combina belas paisagens com um centro histórico de arquitetura da época vitoriana.
A península de Samaná atrai visitantes pela natureza exuberante e pela observação de baleias-jubarte, que migram para a região entre janeiro e março.
Além das praias, há atrações como o Parque Nacional Los Haitises, com suas formações rochosas e manguezais, o Parque Nacional Cuevas de las Maravillas a e o Pico Duarte, o ponto mais alto do Caribe, que oferece trilhas para os amantes do ecoturismo.
Curiosamente, a República Dominicana compartilha a ilha com o Haiti, mas os dois países desenvolveram identidades culturais, linguísticas e históricas bastante distintas. Enquanto os dominicanos falam espanhol, o Haiti tem como idiomas oficiais o francês e o crioulo haitiano.
Outra curiosidade é que o país abriga o primeiro mosteiro, o primeiro hospital e a primeira universidade das Américas, todos fundados ainda no período colonial em Santo Domingo.
Para os dominicanos, celebrar o 27 de fevereiro é, portanto, relembrar uma trajetória marcada por desafios, resistência e diversidade cultural.
A República Dominicana combina passado colonial, herança afro-caribenha vibrante e belezas naturais que ajudam a explicar por que o país se tornou não apenas um símbolo de identidade nacional para seu povo, mas também um dos destinos turísticos mais importantes do hemisfério ocidental.