A cantora, compositora e atriz alemã Nina Hagen completou 71 anos em 11 de março de 2026. A seguir, o Flipar relembra a trajetória da artista.
Por FliparConhecida por sua presença de palco teatral, pela mistura incomum entre canto operístico e atitude punk e com uma carreira marcada por constantes reinvenções, Hagen se tornou um ícone cultural desde o final da década de 1970 e ganhou o apelido de “madrinha do punk alemão”.
Nascida Catharina Hagen em 11 de março de 1955, em Berlim Oriental, então parte da República Democrática Alemã, ela cresceu em um ambiente artístico. Sua mãe, Eva-Maria Hagen, foi uma atriz conhecida, enquanto o padrasto, o cantor e compositor Wolf Biermann, tornou-se um importante dissidente do regime socialista.
Desde cedo, Nina teve contato com a música e com o teatro, estudando balé e canto ainda na infância. Na adolescência, começou a se interessar por rock e música popular, ao mesmo tempo em que recebia treinamento vocal clássico, formação que mais tarde marcaria profundamente seu estilo.
A sua carreira artística começou ainda na Alemanha Oriental, quando ela participou de produções cinematográficas e integrou a banda Automobil.
Em 1974, alcançou grande popularidade no país com o single “Du hast den Farbfilm vergessen” (“Você Esqueceu o Filme Colorido”, em tradução literal), canção que muitos interpretaram como uma crítica sutil ao cotidiano cinzento da vida sob o regime comunista.
A situação política da família de Hagen mudou radicalmente em 1976, quando o governo da Alemanha Oriental retirou a cidadania de Wolf Biermann após críticas ao regime. A artista decidiu então deixar o país e se mudou para a então Alemanha Ocidental, iniciando uma nova fase artística.
No final da década de 1970, já inserida na efervescente cena musical europeia, a cantora entrou em contato com o nascente movimento punk em Londres. Inspirada por essa estética rebelde e experimental, fundou a Nina Hagen Band.
O álbum de estreia do grupo, lançado em 1978, foi recebido com entusiasmo pela crítica e vendeu mais de 250 mil cópias, consolidando sua imagem como uma das vozes mais originais do rock alemão.
O disco combinava guitarras agressivas, letras provocativas e a impressionante extensão vocal da cantora, capaz de alternar entre gritos punk e passagens operísticas.
Após a dissolução da banda em 1979, Hagen seguiu carreira solo e ampliou ainda mais seu alcance internacional. O álbum que lançou em 1982 apresentou um som que misturava punk, new wave, reggae e influências eletrônicas, marcando também sua entrada nas paradas norte-americanas.
Nos anos seguintes vieram trabalhos como “Fearless”, em 1983, e “Nina Hagen in Ekstasy”, em 1985, que reforçaram seu prestígio como uma artista imprevisível e inovadora.
Ao longo das décadas seguintes, Nina Hagen continuou explorando diferentes linguagens musicais e artísticas. Gravou discos em diversos estilos, do rock ao gospel, do pop ao experimental, além de atuar como dubladora e escritora.
Ao longo das décadas seguintes, também apareceu em produções cinematográficas e televisivas na Alemanha e em outros paÃses europeus, além de trabalhar como dubladora em animações, ampliando sua atuação artÃstica para além da música.
Ela também se destaca por seu ativismo em causas humanitárias e pelos direitos dos animais, bem como por posicionamentos espirituais e políticos frequentemente expressos em entrevistas e performances.
Com mais de cinco décadas de carreira, Nina Hagen permanece como uma figura singular da cultura pop europeia. Sua combinação de teatralidade, irreverência e domínio vocal ajudou a redefinir o papel das mulheres no rock e no punk, enquanto sua trajetória atravessa contextos históricos marcantes, do ambiente repressivo da Alemanha Oriental à explosão criativa da cena musical internacional.