Elis Regina, uma das maiores vozes da música brasileira, faria aniversário no dia 17 de março se estivesse viva. Nascida em 1945, em Porto Alegre, a cantora marcou gerações com interpretações intensas e cheias de personalidade.
Por FliparAo longo da carreira, destacou-se pela força no palco e pela capacidade de transformar cada canção em uma experiência emocional única. Elis ajudou a popularizar obras de grandes compositores da MPB e tornou-se referência artística e cultural no país.
Mesmo após sua morte precoce, em 1982, sua influência permanece viva. Clássicos interpretados por ela continuam a emocionar o público e a reafirmar seu lugar entre os maiores nomes da história da música brasileira.
Elis começou cedo. Aos 11 anos, foi campeã do Clube do Guri, competição para cantores mirins na Rádio Farroupilha (Porto Alegre) e tornou-se fixa no programa. A mãe queria que ela fosse professora e exigia um boletim escolar impecável para que a menina continuasse a cantar.
Em 1960, Elis foi contratada pela Rádio Gaúcha, aos 15 anos. Seu salário já era maior que o do pai. Aos 16 anos, lançou seu primeiro disco: “Viva a Brotolândia”. Ganhou o título de “Estrelinha da Rádio Gaúcha” e foi eleita por uma revista a melhor cantora de rádio do estado.
Em 1964, Elis e o pai se mudaram para o Rio de Janeiro. A mãe dela e o irmão mais novo ficaram no Sul. Eles chegaram ao Rio pouco depois do golpe militar. Elis assinou contrato com a TV Rio para se apresentar no programa “Noites de Gala”.
Também em 1964, ela foi convidada para cantar no Beco das Garrafas, em Copacabana, reduto onde nasceu a Bossa Nova no Rio de Janeiro. Nunca mais Elis se afastaria de Tom Jobim, cujas canções ela imortalizou com interpretações únicas.
Foi Elis Regina que consagrou pérolas como “Águas de Março”, “Inútil Paisagem” e “Triste”, faixas do disco “Elis e Tom”, gravado em 1974 nos Estados Unidos, mostrado num documentário do produtor Roberto de Oliveira, no canal Arte 1.
Em 1965, ao lado de Jair Rodrigues, Elis fez sucesso no programa “O Fino da Bossa”, da TV Record, e lançou três LPs ao vivo.
Também em 1965, sua performance da canção “Arrastão” deixou uma forte marca cênica e impulsionou ainda mais a carreira de Elis. Ela venceu o I Festival de Música Popular Brasileira na TV Excelsior.
Na década de 1970, com os sucessos de Falso Brilhante (1975-1977) e Transversal do Tempo (1978), Elis Regina inovou os espetáculos musicais no país.
Com sucesso consolidado no Brasil, Elis também conquistou reconhecimento internacional. Fez shows em grandes casas de espetáculo da Europa. Na foto, o cartaz anunciando seu show no Olympia, em Paris, em 1968.
Elis teve três filhos: João Marcello Bôscoli (produtor musical, filho de Ronaldo Bôscoli; Pedro Mariano (cantor e compositor) e Maria Rita (cantora), ambos filhos de César Camargo Mariano.
Elis ultrapassava com frequência o papel de cantora e dava opiniões políticas e sociais sobre o Brasil. Chamada de “Pimentinha”, fazia jus ao apelido ao polemizar em questões que muitos colegas de profissão preferiam ignorar.
Numa histórica entrevista a Marília Gabriela em 1980, Elis falou da preocupação com os desmatamentos no país. “O fato de achar que isso é frescura de intelectual está facilitando para o ladrão”, ela disse.
Elis costumava marcar sua posição: “Acho difícil as pessoas não falarem de política. Até você não se preocupar com política já é uma atitude política. Então, viver é uma atitude política”.
Em 1982, duas semanas antes da morte, Elis participou do programa “Jogo da Verdade”, de Salomão Ésper, e foi entrevistada por Mauricio Kubrusly e Zuza Homem de Mello. Ela disse: “Hoje é mais difícil fazer disco porque a prepotência ganhou outros nomes: marketing, merchandising. Não há preocupação com a criatividade”.
Elis sempre elogiava os artistas de sua época “Nossa geração é o seguinte: feijoada mesmo, fomos nós que fizemos”, disse referindo-se a referências musicais como Milton Nascimento, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Rita Lee e Gal Costa (na foto, com Elis).
Elis morreu aos 36 anos, interrompendo uma carreira que estava no auge. Ela foi mais uma vítima do uso de drogas, mal que já tirou a vida de tantos artistas talentosos ao longo da história. Uma overdose de uísque, cocaína e tranquilizante calou Elis para sempre.