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Calígula entre o poder e o mito: excessos, divinização e controvérsias


Conhecido por seu governo controverso, Calígula foi um dos imperadores mais marcantes do Império Romano. Sua trajetória mistura poder, excentricidade e relatos de excessos que atravessaram os séculos. Até hoje, sua figura desperta curiosidade e continua cercada de histórias e interpretações.

Por Flipar
Flickr Manel

Mesmo após séculos, Calígula continua sendo alvo de estudos por parte de historiadores e pesquisadores. Sua trajetória reúne episódios controversos, fontes antigas contraditórias e interpretações que ainda geram debate. Por isso, sua figura segue relevante para compreender o poder e a política no Império Romano.

Louis le Grand?Wikimédia Commons

Em 2023, uma escultura milenar do imperador, que ficou desaparecida por 200 anos, foi encontrada pela historiadora Silvia Davoli, da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Ela fazia buscas pelo objeto havia uma década.

Reprodução/Strawberry Hill House

O busto em bronze representando Calígula “no início de sua loucura”, de acordo com descrições, havia sido encontrado no século 18 durante escavações em Herculano, uma das cidades italianas dizimadas pela erupção do Monte Vesúvio no ano 79 d.C.

Emanuele Antonio Minerva / Ministero della Cultura / Divulgação

De acordo com os estudiosos, é provável que o busto tenha sido esculpido pouco antes ou após a morte de Calígula, há quase dois mil anos.

Éric Seigne/Wikimédia Commons

Em 1842, o busto, que pertencia ao acervo do político e escritor inglês Horace Walpole, foi vendido juntamente com uma coleção de objetos. Agora, ele passou a ficar exposto na Strawberry Hill House.

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Trata-se de uma casa histórica transformada em museu, localizada em Londres. Construída no século 18 por Horace Walpole, ela é considerada um dos primeiros exemplos do estilo neogótico na arquitetura inglesa. Hoje, o local funciona como atração cultural aberta ao público, com exposições, obras de arte e ambientes preservados.

Chiswick Chap wikimedia commons

Calígula foi um dos mais famosos imperadores da Roma Antiga. Filho de uma importante liderança da época, o general Germanicus, ele assumiu o poder com apenas 24 anos, após a morte do imperador Tibério.

Domínio Público?Wikimédia Commons

Relatos antigos descrevem atitudes autoritárias, episódios de crueldade e comportamentos considerados instáveis. Ainda assim, parte da historiografia debate até que ponto essas narrativas podem ter sido exageradas ao longo do tempo.

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O filme Caligula, estrelado por Malcolm McDowell, retrata a ascensão e queda do imperador romano com forte carga dramática. A produção lançada em 1979 ficou marcada pelo conteúdo explícito e pela abordagem polêmica da história. Até hoje, é lembrada como uma das obras mais controversas já feitas sobre a Roma Antiga.

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Existem relatos antigos de que Calígula teria promovido gastos desproporcionais com empreitadas militares e tomado atitudes monstruosas, como mandar matar a própria esposa e também seu primo e filho adotivo Tibério Gêmelo.

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A ordem para a execução de Tibério Gêmelo geralmente é uma tese aceita pelos historiadores. Já o assassinato da própria esposa (Milônia Cesônia) é mais controverso: ela morreu durante a conspiração que levou à queda de Calígula, e não há consenso de que tenha sido assassinada a mando dele.

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No livro “Calígula: The Abuse of Power” (“Calígula: O Abuso do Poder”, em tradução livre), o historiador Anthony A. Barrett sustenta que a imaturidade e despreparo para o cargo levaram o imperador a agir de forma irracional.

Domínio Público ?Wikimédia Commons

Fontes como Suetônio e Dio Cássio afirmam que Calígula incentivou que as pessoas o tratassem como Deus e chegou a aparecer associado a Apolo e Mercúrio. Porém, historiadores atuais ressaltam que esses relatos podem ter sido exagerados ou usados para difamá-lo politicamente, já que foram escritos após sua morte.

Reprodução do facebook TerrifyingMyths

Segundo registros históricos, Calígula foi assassinado a facadas por um grupo de guardas em 24 de janeiro do ano 41 d.C., sendo sucedido no poder romano por seu tio Claudio, ex-cônsul e senador.

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