Nascido no bairro da Tijuca e criado no morro do Salgueiro, no Rio de Janeiro, Moreira da Silva era filho de um trombonista da Polícia Militar. A sua juventude foi muito pobre, o que o levou a trabalhar desde cedo em diversos ofícios, desde fábrica de cigarros até vendedor de doce, antes de ser motorista de táxi e ambulância.
Sua carreira artística teve um impulso inicial graças ao sambista e compositor Ismael Silva, que sugeriu a ele fazer testes na gravadora Odeon, onde lançaria seus primeiros discos.
Nos anos 1930, participou de programas de rádio, na Rádio Nacional e, especialmente, na Mayrink Veiga, compondo elenco que tinha nomes marcantes da chamada Era de Ouro do Rádio, como as irmãs Carmem e Aurora Miranda, Francisco Alves, Cyro Monteiro, Mário Reis, entre outros astros e estrelas da época.
A partir desse período, compôs e gravou canções com regularidade. O seu repertório associava-se ao cotidiano, à boêmia e à malandragem, temáticas presentes na cultura urbana de então.
Moreira da Silva começou a fazer sucesso na década de 1950. No mesmo período, chegou a tentar uma mal-sucedida candidatura a vereador no Rio de Janeiro e se aposentou do funcionalismo público estadual após 32 anos de carreira.
Um dos traços fundamentais da trajetória de Moreira da Silva foi seu vínculo com o chamado samba de breque, que dava tom de humor e crônica social às suas gravações. Ele é considerado o maior nome do estilo.
O estilo, que se caracteriza por interrupções na música em que o intérprete insere comentários e improvisos, foi uma marca indissociável do artista carioca.
A sua projeção nacional, em meados do século 20, veio na esteira de canções como “Acertei no Milhar” (Wilson Batista e Geraldo Pereira), “Na Subida do Morro” e “Fui a Paris”, as duas últimas parcerias suas com Ribeiro Cunha.
Essas músicas, associadas ao recurso do breque, ajudaram a consolidar sua imagem artística e a figura espirituosa do malandro. Com essas características, e o apelido Kid Morengueira, tornou-se popular. Em 1995, ele gravou ao lado dos sambistas Bezerra da Silva e Dicró 'Os Três Malandros In Concert', disco que faz uma paródia das apresentações dos chamados três tenores, Luciano Pavarotti, Plácido Domingo e José Carreras.
Moreira da Silva teve uma carreira longeva, com gravações e apresentações já em idade avançada. O sambista gravou músicas com artistas mais jovens, como Chico Buarque (gravou duas faixas em “Ópera do Malandro”) e Gabriel, o Pensador, além de ter feito dueto com Roberto Carlos em um dos especiais de fim de ano do Rei.
Moreira da Silva morreu em 6 de junho de 2000, aos 98 anos, de falência múltipla dos órgãos. Ele ficou internado 23 dias de internação, no Rio de Janeiro, após levar um tombo.