Pela primeira vez, ele dividirá a estrada com a filha, a cantora Mart’nália. Batizada de 'Pai e Filha', a série de shows passará por cerca de 30 cidades brasileiras.
Segundo a divulgação da produção, o repertório reunirá clássicos do sambista e sucessos da trajetória de Mart’nália. “Pai e Filha não é apenas um show. É um encontro de gerações, de histórias e de afetos”, declarou Martinho ao anunciar o projeto.
Filho de lavradores, Martinho José Ferreira nasceu em 12/2/1938 em Duas Barras, no interior do RJ. Com apenas quatro anos, mudou-se com a família para a capital. Antes de se tornar um ícone da arte, ele serviu o exército na juventude. Na década de 1970, abandonou a carreira militar.
O objetivo era dedicar-se ao samba, paixão que o tornaria conhecido nacionalmente. No Festival da Música Popular Brasileira de 1967 da Record, concorreu com a canção “Menina Moça”, interpretada por Jamelão, cantor que se tornaria um emblema da Mangueira.
No ano seguinte, Martinho da Vila emplacou seu primeiro grande sucesso, “Casa de Bamba”, canção que se tornaria um dos clássicos de seu repertório.
A canção foi faixa do primeiro álbum do sambista, lançado em 1969 pela RCA Victor. O disco trazia ainda sucessos como “Quem É Do Mar Não Enjoa”, “O Pequeno Burguês” e “Pra Que Dinheiro”.
Daí em diante, passou a lançar discos quase todos os anos, emplacando clássicos definitivos do samba nacional. Entre suas produções mais cultuadas estão “Canta Canta, Minha Gente” (1974) e ‘Tá Delícia, Tá Gostoso” (1995).
Além de “Casa de Bamba” e “Canta Canta, Minha Gente”, outras músicas muito conhecidas do compositor e cantor são “Disritmia”, “Devagar Devagarinho” (composição de Eraldo Divagar), “Mulheres” (de Toninho Geraes) e “Ex-Amor”.
Martinho da Vila também é uma das personalidades mais ilustres do Carnaval carioca. Especialmente por sua ligação com a escola de samba Unidos de Vila Isabel, da qual é presidente de honra.
Em 1991, Martinho encontrou-se com Nelson Mandela, líder sul-africano que foi símbolo da luta contra o apartheid no país. Um reconhecimento a um dos artistas brasileiros que mais se engajaram no combate ao racismo e pelos direitos da população negra.
Martinho da Vila também tem uma trajetória consistente como escritor. Em 2024, ele lançou seu 21º livro, “Martinho da Vida”. Sua obra bibliográfica passeia por gêneros diversos, do infanto-juvenil ao romance e ao autobiográfico.