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Alcântara, no Maranhão, reúne ruínas coloniais e base espacial brasileira


A cidade de Alcântara, no Maranhão, reúne aspectos que a tornam singular. O passado colonial, preservado em edificações, divide espaço com a tecnologia espacial, representada pela presença do Centro de Lançamento de Alcântara.

Por Flipar
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Na costa maranhense, Alcântara está a cerca de 30 quilômetros de São Luís, capital do estado, do outro lado da Baía de São Marcos. Fundada durante o período colonial, a cidade tornou-se um dos principais centros econômicos do Maranhão a partir do século 18, graças à economia do açúcar e, depois, do algodão.

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Nessa época, foram construídos casarões, igrejas e prédios públicos que hoje formam um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos coloniais do Brasil, cujo tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural Nacional (IPHAN) aconteceu em 1984.

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Alcântara abriga atualmente mais de 300 edificações coloniais, muitas delas tombadas, o que transforma o município em um verdadeiro museu a céu aberto, apesar do estado de abandono de muitas dessas estruturas.

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Entre os destaques desse conjunto estão as ruínas do Palácio Negro e da Igreja de São Matias a Igreja do Carmo, além do pelourinho e de sobrados que resistem ao tempo com fachadas desgastadas, mas carregadas de história.

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Além do patrimônio arquitetônico, Alcântara guarda forte herança cultural afro-brasileira. A cidade possui a maior proporção de população quilombola do Brasil, com 84,6% de seus moradores autodeclarados (cerca de 15 mil pessoas). São dezenas de comunidades descendentes de escravizados que mantêm tradições vivas até hoje

Paulo Fernando 123/Wikimédia Commons

Alcântara só pode ser acessada com facilidade por via marítima, em travessias que partem de São Luís. Esse aspecto contribui para a preservação do ritmo tranquilo e de sua paisagem urbana pouco modificada ao longo dos anos.

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Porém, a cidade tem uma faceta altamente tecnológica pela presença do Centro de Lançamento de Alcântara, uma das estruturas mais estratégicas do programa espacial brasileiro.

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Criado em 1983 e inaugurado oito anos depois, o centro foi construído em Alcântara pelo fato de a região ter uma das localizações estrategicamente mais privilegiadas do mundo para esse tipo de operação, próxima à Linha do Equador (apenas 2,3 graus de latitude).

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Essa proximidade permite aproveitar a velocidade maior de rotação da Terra, reduzindo significativamente o consumo de combustível nos lançamentos, com economia de até 30%. Além disso, as condições climáticas da região são consideradas favoráveis, com maior regularidade meteorológica .

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O centro é utilizado para lançamentos de foguetes e testes de tecnologias espaciais. Apesar disso, sua história é marcada por desafios. Em 2003, a explosão de um foguete vitimou 21 pessoas, no que é considerado o maior desastre da área espacial brasileira. Além disso, a implantação da base impactou comunidades locais, especialmente quilombolas, que foram deslocadas durante sua construção, tema que ainda gera debates e reivindicações.

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Essa convivência entre passado e futuro é o aspecto mais fascinante de Alcântara. De um lado, ruínas coloniais silenciosas. De outro, uma base científica que aponta para o futuro tecnológico do país.

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