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Projeto de criação da primeira fazenda de polvos do mundo gera críticas de ambientalistas; entenda


A implantação de uma fazenda industrial de polvos nas Ilhas Canárias, liderada pelo grupo Nueva Pescanova, tem provocado revolta de grande parte da comunidade científica mundial.

Por Flipar
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O assunto colocou o arquipélago no centro de um debate internacional que envolve não apenas produção de alimentos, mas também questões ambientais e éticas em um projeto que exigiu um investimento de cerca de 70 milhões de euros.

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A iniciativa pretende transferir para instalações totalmente controladas a criação do Octopus vulgaris, espécie tradicionalmente obtida por pesca em mar aberto.

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A unidade projetada para o porto de Las Palmas pretende ser a pioneira mundial na criação intensiva da espécie, visando uma produção anual de 3 mil toneladas — o que representa cerca de 1 milhão de animais confinados em tanques com controle de temperatura e densidade.

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O sistema seguiria o modelo de aquicultura industrial, com os animais sendo mantidos em tanques fechados e condições controladas de temperatura, alimentação e densidade populacional.

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A proposta, entretanto, enfrenta forte resistência devido à complexidade biológica destes cefalópodes. E parte dessa controvérsia está relacionada às características biológicas dos polvos.

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Estudos indicam que esses animais possuem cerca de 500 milhões de neurônios e demonstram habilidades como aprendizagem, resolução de problemas e interação com objetos, além de possível capacidade de sentir dor e estresse.

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Por serem animais solitários, o confinamento em larga escala levanta dilemas éticos profundos, com especialistas alertando para possibilidade de picos de estresse, agressividade e, eventualmente, até canibalismo.

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A proposta de matar os polvos em água a -3°C é classificada como 'cruel' por especialistas, pois causa uma morte lenta e estressante. Organizações internacionais e neurologistas defendem métodos que evitem o sofrimento de seres reconhecidos como sencientes.

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Do ponto de vista ecológico, o modelo é questionado por sua sustentabilidade. Como predadores carnívoros, os polvos exigem entre 3 kg e 5 kg de peixe para cada quilo de carne produzido, o que pode pressionar ainda mais os estoques pesqueiros globais.

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Além disso, outro ponto sensível envolve preocupações severas quanto ao descarte de resíduos orgânicos (nitrogênio e fósforo) e seus efeitos na biodiversidade marinha local.

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Por serem animais territoriais e de hábitos noturnos, a manutenção de 10 a 15 indivíduos por metro cúbico sob luz constante pode gerar uma taxa de mortalidade estimada entre 10% e 15%.

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