O cientista e explorador marítimo de 73 anos, Tommy Thompson, recuperou a liberdade em março de 2026 após passar cerca de dez anos detido. O motivo da prisão foi ele ter se recusado a revelar o destino de aproximadamente 500 moedas de ouro recuperadas do naufrágio do SS Central America.
A saída foi confirmada por registros do sistema prisional federal dos Estados Unidos. A trajetória de Thompson é marcada por uma descoberta histórica que se transformou em um pesadelo jurídico.
A detenção começou em 2015, quando ele foi condenado por desacato ao tribunal por não cumprir ordens judiciais que exigiam a localização das moedas, avaliadas em cerca de 2,5 milhões de dólares.
Thompson sempre sustentou que desconhecia o paradeiro do tesouro e chegou a afirmar que não possuía “as chaves” para sua própria liberdade. O caso ganhou contornos ainda mais intrigantes porque ele já era considerado foragido desde 2012, após faltar a uma audiência.
Em 2015, ele foi localizado vivendo com uma identidade falsa em um hotel na Flórida. Apesar de a legislação americana normalmente limitar prisões por desacato a cerca de 18 meses, decisões judiciais excepcionais mantiveram sua detenção por uma década.
Thompson ganhou fama em 1988, quando liderou a expedição que encontrou os destroços de um grande navio que afundou em 1857 durante um furacão no Atlântico, deixando 425 pessoas mortas.
A embarcação, chamada de 'S.S. Central America', transportava grandes quantidades de ouro na época da 'Corrida do Ouro da Califórnia' e foi localizada a mais de 2.100 metros de profundidade. O desastre abalou a economia norte-americana na época.
Mesmo após a descoberta histórica, o explorador enfrentou disputas judiciais com investidores que ajudaram a financiar a operação. Em 2005, eles alegaram não ter recebido participação nos cerca de US$ 50 milhões obtidos com a venda do ouro recuperado.
A longa permanência do explorador na prisão gerou críticas de especialistas, que consideraram a punição incomum e desproporcional. Um professor de direito da Universidade da Flórida que estuda casos de desacato disse que 'manter alguém preso por 10 anos nesse tipo de processo é muito raro”.
Nos últimos anos, a Justiça reavaliou o caso e concluiu que a detenção já não contribuía para extrair novas informações. Após cumprir também uma pena adicional ligada à fuga de 2012, Thompson foi finalmente libertado.
Ao longo desse período, peças resgatadas do naufrágio continuaram a alcançar valores milionários em leilões, mantendo vivo o interesse pelo caso e pelo tesouro do “Navio de Ouro”. Em 2001, um lingote de 36 kg foi arrematado por um colecionador por US$ 8 milhões!