O diferencial do produto começa na paisagem que o cerca: a região é marcada por extensas áreas com sapucaias, árvores de grande porte cujos ouriços servem como recipiente natural para o processo de maturação do queijo, etapa responsável por parte importante de sua identidade sensorial e por conferir características únicas de aroma, consistência e sabor que refletem diretamente a relação entre o alimento e o ambiente natural onde ele é produzido.
Além disso, o reconhecimento consolida a qualidade do produto artesanal elaborado com leite de cabras das raças Saanen e Murciana, cuja técnica de fabricação envolve fermentação com iogurte e um período de maturação de 21 dias. Feito dentro da cuia da Sapucaia, o queijo desenvolve um mofo semelhante ao do brie graças à ação de fungos presentes na Mata Atlântica, o que resulta em textura aveludada e sabor com notas de castanha, madeira e leve picância.
O reconhecimento recente só se tornou possível após a obtenção do Selo de Arte, certificação que permite a comercialização do produto além dos limites do município e abriu caminho para sua chegada a restaurantes renomados.
Segundo representantes do Instituto Bazzar, que atuaram ao lado de órgãos de inspeção para atestar a qualidade do produto e a importância da atividade queijeira para Valença, a conquista foi resultado de um trabalho conjunto e de inspeção rigorosa para valorizar a produção artesanal local e ampliar a circulação do queijo.
Para os envolvidos no projeto, o prêmio internacional confirma que a tradição queijeira da região possui identidade própria e potencial competitivo no cenário global, além de reforçar o papel dos pequenos produtores na valorização da cultura alimentar brasileira.