Animais

Pesquisadores descobrem réptil de 230 milhões de anos com “bico de papagaio” no Rio Grande do Sul


Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) identificaram no estado do Rio Grande do Sul uma nova espécie de réptil que viveu há cerca de 230 milhões de anos e possuía um bico semelhante ao de um papagaio. O estudo foi conduzido pelo paleontólogo Rodrigo Temp Muller e pela mestranda Jeung Hee Schiefelbein, que descreveram oficialmente o animal, batizado de Isodapedon varzealis, em artigo publicado na revista Royal Society Open Science, com base na análise de um crânio fossilizado

Por Flipar
Caio Fantini/Divulgac?a?o

Após a escavação, o material passou por um longo e cuidadoso processo de preparação no laboratório do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, onde os pesquisadores removeram sedimentos e examinaram detalhes anatômicos. A preparação do fóssil exigiu mais de seis meses de trabalho cuidadoso, especialmente na região dos dentes, cuja preservação forneceu características essenciais para a identificação taxonômica da nova espécie.

Rodrigo Temp Mu?ller/Divulgac?a?o

Foi justamente a configuração dessas estruturas que permitiu reconhecer a nova espécie, pois o animal apresentava placas dentárias superiores com formato simétrico, característica incomum entre rincossauros. Em geral, esses répteis tinham placas separadas por uma fenda com disposição desigual entre si, enquanto no novo exemplar essa organização mostrou um padrão mais equilibrado. O nome Isodapedon faz referência direta a essa simetria, enquanto o termo varzealis homenageia a localidade de Várzea

Wikimedia Commons/Ghedoghedo

O animal era um herbívoro quadrúpede pertencente ao grupo dos rincossauros e provavelmente media entre 1,2 e 1,5 metro de comprimento. Estima-se que seu bico afilado devia funcionar como ferramenta para cortar vegetação e escavar o solo em busca de raízes.

Divulgac?a?o

Com essa descoberta, o número de rincossauros conhecidos do período Triássico no Brasil passou a seis espécies. O exemplar foi encontrado em camadas rochosas que já haviam revelado outras três espécies do mesmo grupo, o que indica que esses répteis alcançaram grande diversidade exatamente na época em que os primeiros dinossauros começaram a surgir.

Divulgac?a?o

A análise evolutiva também apontou forte semelhança entre o fóssil brasileiro e um rincossauro contemporâneo identificado na Escócia, relação explicada pela existência do supercontinente Pangeia, que unia as massas continentais e permitia a circulação de espécies por amplas áreas terrestres há cerca de 230 milhões de anos.

Caio Fantini/Divulgac?a?o

Além disso, fósseis de rincossauros têm grande importância científica como marcadores cronológicos naturais, pois ajudam pesquisadores a determinar com maior precisão a idade das formações rochosas onde são encontrados. O local onde o fóssil foi descoberto integra o Geoparque Mundial da UNESCO Quarta Colônia, uma área reconhecida internacionalmente pela riqueza paleontológica e pela presença de alguns dos dinossauros mais antigos já identificados no planeta.

Reproduc?a?o