No caso dessa espécie que habita águas doces entre o sul dos Estados Unidos e o México, todos os indivíduos são fêmeas e a continuidade da linhagem ocorre por meio de um processo que há décadas desperta o interesse de pesquisadores.
Estudos recentes voltaram a investigar como esse peixe conseguiu persistir por tanto tempo sem depender da recombinação genética típica entre machos e fêmeas. Eles utilizam a chamada ginogênese para se perpetuar.
Nesse sistema, a fêmea precisa do esperma de machos de outras espécies aparentadas para iniciar o desenvolvimento dos ovos; no entanto, o DNA masculino raramente é aproveitado. Assim, os descendentes nascem praticamente idênticos à mãe, como cópias genéticas.
Em geral, esse tipo de reprodução é considerada vantajosa exatamente por ampliar a variedade genética e aumentar as chances de sobrevivência a longo prazo — o fato de essa espécie existir há milhares de anos sugere que a evolução pode seguir trajetórias mais diversas do que se imaginava.
Os cientistas acreditam que a origem dessa linhagem esteja relacionada ao cruzamento antigo entre duas espécies próximas de molinésia, o que teria dado origem a um híbrido. Desde então, essa população composta apenas por fêmeas continua se mantendo ao longo das gerações por meio desse mecanismo singular.