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Sete anos sem Beth Carvalho: relembre a trajetória da ‘Madrinha do Samba’


O dia 30 de abril de 2026 marcou os sete anos da morte de Beth Carvalho, cantora, compositora e instrumentista que é um dos nomes mais importantes da história do samba. Elizabeth Santos Leal de Carvalho nasceu no Rio de Janeiro em 5 de maio de 1946. Ela ganhou projeção nacional a partir dos anos 1970 não apenas como intérprete de grandes sucessos, mas como figura essencial na renovação do gênero. Seu trabalho foi decisivo para revelar e impulsionar nomes como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Arlind

Por Flipar
Reprodução do Flickr Grupo Tom Brasi

Ainda criança, Beth conviveu com nomes importantes da canção brasileira, como Sílvio Caldas, Elizeth Cardoso e Aracy de Almeida, amigos de seu pai, João Francisco Leal de Carvalho. A música fazia parte do cotidiano: sua avó tocava instrumentos de corda, sua mãe era pianista clássica e sua irmã Vânia também se dedicava ao canto. O despertar artístico veio cedo, impulsionado pelo contato com esse universo. Na infância, ela fez balé por vários anos e, na adolescência, passou a estudar violão.

Domínio Público/Wikimédia Commons

Ao frequentar diferentes bairros do Rio de Janeiro, ela teve contato direto com rodas de samba e ensaios de escolas, experiências que moldaram sua identidade musical. Inicialmente influenciada pela bossa nova, sobretudo após ouvir João Gilberto, começou a cantar e compor ainda nos anos 1960, participando de shows e movimentos musicais que buscavam novos caminhos para a canção brasileira.

Reprodução do Flickr Grupo Tom Brasi

A projeção nacional de Beth Carvalho se deu em 1968, quando conquistou o terceiro lugar no III Festival Internacional da Canção ao interpretar a música “Andança”, composta por Danilo Caymmi, Paulinho Tapajós e Edmundo Souto. O sucesso da canção abriu caminho para o lançamento de seu primeiro álbum, batizado com o nome da canção e que marcou o início de uma trajetória ascendente.

- Lucia Ourique/Wikimédia Commons

A partir da década de 1970, Beth Carvalho passou a lançar discos regularmente e a emplacar sucessos de autores importantes que se tornariam clássicos, como “Vou Festejar” “Coisinha do Pai”, “Folhas Secas”, “As Rosas Não Falam” e “Camarão que Dorme a Onda Leva”.

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Beth Carvalho exerceu um papel fundamental na valorização de compositores que conheceu ao frequentar rodas de samba e em sua busca por repertório diretamente nas comunidades. Foi responsável, por exemplo, por levar obras de Cartola e Nelson Cavaquinho a um público mais amplo, contribuindo para o reconhecimento desses mestres.

Reprodução do Flickr Rogerio Resende

A artista era frequentadora assídua do bloco Cacique de Ramos e teve papel central na difusão de uma nova linguagem dentro do samba, associada ao surgimento do pagode carioca.

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Ao incorporar instrumentos como o banjo adaptado, o tantã e o repique de mão em seus discos e shows, ajudou a popularizar essa sonoridade em todo o país. Essa contribuição lhe rendeu o apelido de “Madrinha do Samba”, refletindo sua importância tanto na preservação quanto na renovação do gênero. Em 1978, lançou álbum 'Pé no Chão', considerado um marco ao introduzir o som inovador desse universo.

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Ao longo da carreira, Beth acumulou números expressivos, com mais de 30 discos gravados, premiações importantes, incluindo discos de ouro e platina, e apresentações em diversas cidades do Brasil e do exterior. Levou o samba a palcos internacionais, passando por países da Europa, América e África, além de participar de festivais de prestígio como o de Montreux.

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Sua ligação com o carnaval e com as escolas de samba sempre foi intensa. Identificada com a Estação Primeira de Mangueira, Beth manteve presença constante nas quadras e desfiles, sendo profundamente respeitada nesse universo. Em 1984, tornou-se enredo da Unidos do Cabuçu, que conquistou o título naquele ano.

Reprodução do Flickr Rogerio Resende

Na vida pessoal, Beth foi casada com o ex-jogador de futebol Édson Cegonha, com quem teve sua única filha, Luana Carvalho, que seguiu carreira artística como cantora e atriz. Ela também se destacou por seu posicionamento político, apoiando lideranças e movimentos alinhados às causas populares, além de participar de iniciativas em defesa da cultura brasileira.

Reprodução do Youtube

A partir de 2010, a artista passou a enfrentar sérios problemas de saúde, especialmente relacionados à coluna vertebral, que comprometeram sua mobilidade. Chegou a se apresentar deitada em shows, demonstrando resistência e compromisso com a música. Beth Carvalho morreu em 30 de abril de 2019, aos 72 anos, após um período de internação no Rio de Janeiro. A notícia gerou ampla repercussão no meio artístico, político e cultural, com homenagens de nomes consagrados da música brasileira.

Reprodução de vídeo TV Globo