O encontro ocorreu no dia 20 de abril de 2026 durante uma expedição científica no Parcel Dom Pedro, área marinha localizada em Itanhaém. A equipe decidiu investigar o ponto após receber relatos de pescadores sobre a presença do animal na região. Além das buscas subaquáticas, os pesquisadores também utilizaram drones para ampliar o campo de observação. A raia identificada é uma fêmea e estava sem a cauda. Segundo o projeto, esse tipo de lesão costuma estar associado à interação humana, sendo fre
As raias, muitas vezes chamadas de arraias, são peixes cartilaginosos pertencentes à subclasse dos elasmobrânquios, o mesmo grupo dos tubarões, e chamam atenção pelo corpo achatado e pelas nadadeiras peitorais largas, que formam uma espécie de “disco” adaptado à vida no fundo do mar.
Distribuídas por todos os oceanos e também em ambientes de água doce, elas apresentam grande diversidade de formas, tamanhos e comportamentos, ocupando desde regiões costeiras rasas até áreas profundas.
Do ponto de vista biológico, as raias não possuem ossos verdadeiros. O seu esqueleto é formado por cartilagem, o que lhes confere flexibilidade e leveza. Muitas espécies têm a boca e as brânquias posicionadas na parte inferior do corpo, uma adaptação que facilita a alimentação no fundo, onde se nutrem de pequenos peixes, moluscos e crustáceos.
Outro aspecto marcante é o sistema sensorial altamente desenvolvido. Assim como os tubarões, as raias possuem órgãos especializados capazes de detectar campos elétricos gerados por outros animais, o que facilita a localização de presas mesmo quando estão escondidas sob a areia.
Além disso, muitas espécies contam com ferrões venenosos na cauda, usados principalmente como mecanismo de defesa contra predadores, e não para ataque. Em geral, elas não são consideradas perigosas para os seres humanos: são animais dóceis, que evitam contato e usam seu ferrão apenas como mecanismo de defesa quando se sentem ameaçadas, normalmente em situações como um pisão acidental.
Ainda assim, acidentes podem ocorrer e, embora raros, com gravidade. O caso mais famoso é o do apresentador australiano Steve Irwin, conhecido como Caçador de Crocodilos, que morreu em 2006 após ser atingido no peito pelo ferrão de uma raia durante uma gravação submarina.
Em 4 de setembro daquele ano, ele decidiu gravar uma cena nadando ao lado de uma arraia confiando que ela fugiria, um comportamento padrão da espécie. No entanto, a resposta da arraia ao se sentir ameaçada foi aplicar um letal golpe de ferrão no explorador.
O comportamento das raias varia bastante entre as espécies. Algumas são solitárias e discretas, permanecendo grande parte do tempo enterradas no fundo marinho. Outras, como as mantas, podem formar coletividades e demonstrar curiosidade em relação a mergulhadores.
No ciclo reprodutivo, muitas raias apresentam fecundação interna e estratégias variadas de desenvolvimento dos filhotes. Há espécies ovíparas, que depositam ovos protegidos por cápsulas resistentes, e outras ovovivíparas, nas quais os embriões se desenvolvem dentro do corpo da fêmea até o nascimento. Esse ritmo reprodutivo, muitas vezes lento, torna várias espécies mais vulneráveis a impactos ambientais.
Entre as principais ameaças enfrentadas pelas raias estão a pesca excessiva, a degradação dos habitats costeiros e a poluição dos oceanos. De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, diversas espécies estão classificadas em diferentes nÃveis de risco de extinção. A proteção desses animais passa por medidas como criação de áreas marinhas protegidas, regulamentação da pesca e incentivo à pesquisa cientÃfica.