Com sua chaminé de 105 metros de altura — um dos pontos mais altos da cidade —, o edifício é hoje um dos cartões-postais mais reconhecíveis e um símbolo da memória urbana de Porto Alegre. Durante décadas, a usina desempenhou papel estratégico no abastecimento energético de Porto Alegre, especialmente em períodos de expansão industrial e aumento populacional.
No entanto, com a modernização do setor elétrico e a adoção de fontes mais eficientes, o complexo entrou em declínio a partir dos anos 1960. Em 1974, a usina foi definitivamente desativada, o que levantou debates sobre o destino do edifício, já considerado parte importante da memória arquitetônica da cidade. A possibilidade de demolição chegou a ser cogitada, mas a mobilização da sociedade civil e de setores culturais garantiu a preservação do espaço.
Em 1991, após um processo de restauração conduzido pela Prefeitura de Porto Alegre, o prédio passou a se transformar em um centro cultural multifuncional. A transformação foi bem-sucedida e o espaço passou a abrigar exposições de artes visuais, shows musicais, espetáculos teatrais, sessões de cinema, feiras e eventos dos mais variados formatos.
O aproveitamento do espaço interno foi um dos grandes acertos da reforma. Os pés-direitos altíssimos, as vigas e os tijolos aparentes e as grandes janelas industriais foram mantidos como elementos centrais da arquitetura. Essa decisão conferiu ao local uma identidade visual inconfundível — capaz de atrair tanto o público local quanto visitantes de outras cidades e países.
A ideia de ter um mirante dentro da chaminé da Usina para levar visitantes até o topo e explorar a vista como atração turística até já foi discutida em gestões passadas. No entanto, o projeto foi abandonado porque não se mostrou viável do ponto de vista econômico e estrutural.
A área ao redor já passou por sucessivas melhorias urbanísticas, com a criação de ciclovias, áreas de lazer e trechos destinados à prática esportiva. Atualmente, a Usina do Gasômetro cumpre múltiplas funções e recebe desde exposições de arte contemporânea até encontros comunitários e iniciativas educacionais.
A orla ao redor da usina também integra o charme do local. O espaço externo é frequentado por ciclistas, corredores, casais e famílias que aproveitam a paisagem ribeirinha, especialmente nos fins de semana. Feiras de artesanato e gastronomia tomam conta da área com frequência, fortalecendo a vocação do Gasômetro como polo de convivência e cultura.
Em maio de 2024, a Usina do Gasômetro esteve no centro das atenções por uma razão dolorosa: as enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul causaram inundações severas em Porto Alegre, e o Guaíba transbordou de forma inédita.
A usina e seu entorno foram gravemente afetados pelas águas, e o espaço precisou ser fechado para avaliação dos danos e obras de recuperação. O episódio reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade dos bens históricos da cidade diante das mudanças climáticas e dos eventos extremos cada vez mais frequentes.
Apesar dos desafios, a Usina do Gasômetro permanece como um símbolo de resiliência e identidade para Porto Alegre. Sua trajetória — de usina termelétrica a centro cultural, de estrutura ameaçada de demolição a patrimônio preservado e celebrado — reflete a capacidade da cidade de ressignificar sua história sem apagar as marcas do passado.
Para quem visita Porto Alegre pela primeira vez ou para quem a tem como lar, o Gasômetro é uma parada obrigatória. Mais do que um antigo complexo industrial, a usina tornou-se um símbolo de identidade urbana e um ponto de referência para gerações de porto-alegrenses e turistas.