O TFFF nasceu com aportes iniciais de Brasil e Indonésia, cada um com 1 bilhão de dólares, além da Noruega com 3 bilhões, França com 500 milhões de euros e Alemanha com 1 bilhão de euros. Esses compromissos somam pouco mais de 6,5 bilhões de dólares, mas permanecem como os únicos desde novembro. A ausência de novos investidores expõe a dificuldade de transformar entusiasmo político em compromissos financeiros concretos, especialmente diante de tensões geopolíticas e prioridades orçamentárias dom
A estrutura do fundo ainda está em formação, com reuniões técnicas conduzidas no Banco Mundial, que serve como sede provisória. Foi criado o Fundo de Investimento em Florestas Tropicais (TFIF), braço responsável pelas aplicações financeiras, copresidido por Brasil e Noruega. A expectativa é que a formalização jurídica do TFIF nas próximas semanas ajude a atrair novos países, demonstrando que o mecanismo está saindo do papel e pode operar com credibilidade internacional.
O contraste entre a ambição inicial e a realidade atual é evidente, já que os cinco países fundadores levaram meses de negociação para chegar aos aportes anunciados. Agora, o fundo precisa captar cerca de 3,5 bilhões adicionais em menos de oito meses, prazo considerado apertado. Essa pressão temporal aumenta a urgência de apresentar resultados concretos que convençam governos hesitantes a aderir.
As maiores economias do mundo, como Estados Unidos, China, Japão e Reino Unido, não anunciaram compromisso financeiro algum com o TFFF. Apesar de reconhecerem publicamente a importância das florestas tropicais para o clima global, preferiram não se engajar no fundo. Esse vácuo de participação levanta dúvidas sobre a disposição da comunidade internacional em pagar pela preservação das matas.
Se a meta não for atingida, o risco é de que o TFFF perca credibilidade e enfraqueça o argumento econômico contra o desmatamento. Para o Brasil, que sediou a COP30 e é o maior detentor de florestas tropicais, o sucesso do fundo tem peso prático. O desafio diplomático será convencer potências econômicas de que investir no TFFF não é caridade, mas estratégia climática com retorno mensurável para o planeta.