Putin nasceu em 7 de outubro de 1952, na então cidade soviética de Leningrado, hoje São Petersburgo. Ele cresceu na União Soviética marcada pela reconstrução do pós-guerra e por rígido controle estatal. Filho de uma operária e de um veterano da Segunda Guerra Mundial, teve uma infância modesta. Desde cedo demonstrou interesse por esportes de combate, especialmente judô, prática que ele próprio costuma citar como decisiva para moldar sua disciplina e visão estratégica.
Formado em Direito pela Universidade Estatal de Leningrado em 1975, Putin ingressou na KGB, a poderosa agência de inteligência soviética que se tornou símbolo do aparato de segurança da URSS durante a Guerra Fria. Ele atuou principalmente na área de inteligência externa e passou parte dos anos 1980 em Dresden, na então Alemanha Oriental, experiência frequentemente apontada por analistas como fundamental para sua visão geopolítica e sua desconfiança em relação ao Ocidente.
Após o colapso da União Soviética, ele retornou à Rússia no início da década de 1990 em um período de forte turbulência política e econômica. A ascensão política de Putin ocorreu de forma rápida. Em Moscou, passou a ocupar cargos estratégicos no governo federal. Em 1998, tornou-se diretor do FSB, órgão sucessor da KGB. Pouco depois, foi nomeado primeiro-ministro pelo presidente Boris Yeltsin, em um momento em que a Rússia atravessava uma grave crise econômica e institucional.
Quando Yeltsin anunciou sua renúncia em 31 de dezembro de 1999, Putin assumiu como presidente interino. Meses depois, venceu as eleições presidenciais e foi oficialmente empossado em 7 de maio de 2000. A partir dali, iniciou-se um dos períodos mais longos de concentração de poder na história moderna da Rússia.
Nos primeiros anos de governo, Putin consolidou sua imagem como líder forte em meio ao caos econômico após o fim da União Soviética. O crescimento impulsionado pelas exportações de petróleo e gás ajudou a elevar o padrão de vida de parte da população russa nos anos 2000, fortalecendo sua popularidade.
Paralelamente, porém, críticos apontam que o Kremlin passou a ampliar o controle sobre a imprensa, o Judiciário, os governos regionais e os grandes empresários conhecidos como “oligarcas”. Impedido constitucionalmente de disputar um terceiro mandato consecutivo em 2008, Putin apoiou a candidatura de Dmitry Medvedev à Presidência e assumiu o cargo de primeiro-ministro. Apesar da mudança formal, analistas consideram que ele continuou sendo o principal centro de poder do país. Em 2012, voltou à Pre
A partir daí, o governo tornou-se ainda mais centralizado. Movimentos de oposição passaram a denunciar repressão política crescente, prisões de adversários e restrições à liberdade de expressão.
No cenário internacional, Putin buscou reposicionar a Rússia como potência global. Em 2014, a anexação da Crimeia, território da Ucrânia, desencadeou uma grave crise diplomática com o Ocidente e resultou em sanções econômicas contra Moscou. O momento mais decisivo, e controverso, de sua trajetória ocorreu em fevereiro de 2022, quando a Rússia iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia. O conflito já provocou milhares de mortes, destruição em cidades ucranianas, ondas de refugiados e uma das ma
Outro marco importante de sua trajetória ocorreu em 2020, quando um pacote de mudanças constitucionais aprovado na Rússia redefiniu os limites de mandato presidencial. Na prática, as alterações permitiram que Putin possa disputar novas eleições e potencialmente permanecer no poder até 2036, quando terá 83 anos.
Sua permanência prolongada no comando russo inevitavelmente gera comparações históricas. Desde Josef Stalin, nenhum líder russo ou soviético permaneceu tanto tempo no centro do poder do país. Admirado por aliados como símbolo de resistência ao poder ocidental e criticado por adversários por práticas autoritárias e ações militares, ele continua influenciando diretamente os rumos da Rússia e o equilíbrio geopolítico mundial.
Vladimir Putin foi casado por cerca de 30 anos com Lyudmila Aleksandrovna, de quem se divorciou oficialmente em 2013. O presidente russo tem duas filhas reconhecidas publicamente, Maria Vorontsova e Katerina Tikhonova, embora mantenha a vida familiar sob forte sigilo.